-- De onde vens e para onde vais ?
-- Venho de Deus na escuridão e para Deus vou na Luz.

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terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

Porque os humanos fazem tantas perguntas ???




Os humanos vistos pela perspectiva dos animais


Porque os humanos estão sempre a fazer perguntas ?
Porque é que os Indios não faziam perguntas metafisicas?
E porque é que cegos atrás de cegos vão sempre para o mesmo sitio ?


Os peixes nadam no mar e não perguntam onde é o mar.
Os passaros voam no ar e não perguntam onde está o ar.
Não perguntam porque estão integrados no meio onde vivem, são Um com o meio, quem é Um não pergunta nada, É.

Os humanos vivem no mundo e estão sempre a perguntar sobre o mundo.

Os humanos estão sempre com falta de 'algo', á procura de alguma coisa que lhes  'faz falta'.

Do que sentem falta é do que eram antes, e agora não são, Unos com a Natureza e o Universo. 

Quiseram ser Deuses e não criados/ajudantes do Pai e sairam da casa do Pai.

Quiseram ter vontade própria e ser criadores também e deixaram a Vontade.

Pensaram que podiam criar como o Pai e assim ser independentes do Pai.

Puro engano, pura ilusão, agora que perceberam que não podiam criar por eles, sentiram a falta da casa do Pai.

Como o filho pródigo, farto de chafurdar na pocilga dos porcos e que deseja regressar ao 'serviço', à Vontade do Pai.

Cairam e sairam do Paraiso, e é desse regresso que andam à procura.

Mas os humanos já estão tão afastados da casa do Pai que ....já não sabem como regressar.

Quanto mais a sociedade avança materialmente mais afastados ficam, porque mais agarrados às coisas estão.

Quanto mais afastados, mais a cruz é pesada e mais dificil é o regresso.

Dai a moderna 'oferta' variada de religioes-seitas-workshops-grupos para cada um se tentar 'agarrar' a uma 'cruz' mais levezinha....mais ilusões, mais fantasias, mas que não levam a lado nenhum.

Na lingua inglesa ' no pain, no gain'  mas hoje em dia quem quer dor....?
Só querem facilidades, papinha pronta na mesa, cruzes é vê-las longe....

Mas como diz o ditado humano 'cegos atrás de cegos ....vão cegos para o abismo'.  
   


Nos povos primitivos o acto de caçar, para além da sobrevivência, identificava-se à sua maneira de viver, à sua espiritualidade. 

Dizia Black Elk, chefe dos Sioux:

Caçar é a nossa Vida.
Procurar a presa exige orações preparatórias e purificações sacrificiais.
(Nota : assim como a busca pessoal exige rituais, comprometimentos pessoais de auto conhecimento e limpeza material).
Nessa busca da presa são importantes os rastos e as pistas da presa. 
( Nota : assim como são os sinais ou chamamentos do nosso caminho pessoal). 
O contacto final com a presa é a Realização da Verdade, o objectivo ultimo da vida. 
( Nota : Quem abate a presa e a come, abate o seu animal interior e une-se à sua verdadeira Natureza e completa o ciclo) .

 
 

Os Indios não faziam perguntas metafisicas, não precisavam,  pois estavam em unissono com o seu meio tal como os peixes e as aves. 


O discipulo perguntou ao Mestre:
O que estava Deus a fazer antes da Criação?
O Mestre respondeu :
Estava a criar o Inferno para quem faz estas perguntas!

Há que reflectir na profundidade desta resposta.

quarta-feira, 16 de outubro de 2013

Xamanismo e Sufismo, suas relações

   
Xamanismo e Sufismo, cruzamento de culturas espirituais


O Xamanismo é das mais antigas culturas espirituais da humanidade.

Sua meta é pelo contacto com o mundo espiritual obter o equilibrio e o bem estar de uma tribo-população por meio de um intermediário que tem essa capacidade espiritual de intermediação, o Xamã.

Esse equilibrio e bem estar consiste na sobrevivencia da tribo seja pela caça de animais seja pela cura dos seus membros em ‘desiquilibrio’ ( actuando no plano espiritual para curar no plano fisico). 

Sessão xamanica no Uzbequistão  

Como técnicas base usam o som (tambores, matracas, etc) e o movimento corporal em danças ritmadas (imitando por exemplo os movimentos dos animais de que dependem) para estabelecer essa comunicação espiritual (hoje chamada de estado alterado de consciência) durante viagens induzidas, donde trazem as respostas às questões colocadas pela tribo ou pelos seus membros.

O Sufismo é a faceta mais esotérica da espiritualidade árabe.

Sua meta é a comunicação directa do individuo com o plano divino para, neste caso, se produzir uma evolução espiritual pessoal , que estabelece o equilibrio do homem consigo mesmo e com a Divindade Allah.

A sua cerimónia mais conhecida é o Dikr, reunião de adeptos que por meio do movimento corporal ritmado e da vocalização exaustiva dos nomes de Allah, pretendem alcançar essa meta de união com o Divino dentro deles (o equilibrio interno desejado).
 
 Dikr Sufi no Uzbequistão 

Históricamente estas duas culturas evoluiram em separado mas em certos casos e certos povos a partir de uma dada altura na história e como resultado  da movimentação dos povos,  houve uma mistura muito interessante entre elas. 

Esta mescla fez-se sobretudo na Asia central, de inicio, apenas xamanica, e que com o avanço nessa zona da influencia arabe, foi produzindo essa mistura de culturas.

Assim os xamãs nessa zona foram progressivamente ‘adaptando’ o cerimonial do dikr não para a união com o Divino mas para a cura, usando a formula da vocalização dos nomes de Allah para ‘chamar’ os espiritos da cura.

Nessas zonas ( Uzbesquistão, Kazaquistão e provincia chinesa de Xinjiang) os tumulos dos santos sufis eram usados pelos xamãs locais como local de recolhimento e ‘incubação’ onde pelos sonhos recebiam as instruções dos espiritos para os problemas que lá iam colocar.  

  Tumulo de santo Sufi na Mongólia chinesa

No Kazaquistão acredita-se que pelo sonho se estabelece a ligação com os espiritos dos ancestrais e aí a própria sessão xamanica tem o nome de Dikr.

No processo de cura, de ‘jogo’ com os espiritos, o xamã Kazah pode recitar 1000 vezes a formula sufi Lâ ilâha illa’ llâh (não existe nada senão Deus) ou 500 vezes a formula Allâhu akbar ( Deus o Poderoso) ambas utilizadas pelos sufis nos seus Dikr, sendo a única diferença que no trabalho do xamã apenas ele vocaliza e toca tambor (não quem assiste) e na cerimónia sufi essa vocalizacão pode começar no mestre da cerimónia mas de seguida é feita por todos os presentes.

A influencia xamanica, em processo inverso, também se produziu em zonas como na Turquia, onde chegaram os povos nómadas turcos da Asia central com suas culturas e que posteriormente se islamizaram.

Nessa zona existe uma ordem muçulmama, os Alévi-Bektachi, que sincretiza o islamismo com as crenças nómadas xamanicas. 
Aqui o celebrante já perdeu a ’arte’ de xamanizar, já não ‘cura’, pois apenas deseja a união pessoal com o Divino mas para isso usa ‘técnicas’ xamanicas como a imitação do movimento de animais nas suas cerimónias de Dikr.

Esta identificação com os animais também é feita na Anatolia turca onde os santos sufis são identificados a cervídeos, vivem em seu contacto e tomam a sua aparência. 
O santo sufi Geyikli Baba (Pai Cervo) cavalga um cervideo e vive na floresta com ele segundo a tradição.

Mas aqui o cervo não é um animal sagrado como nas culturas xamanicas da Sibéria que dele dependem como animal a caçar, é um ‘instrumento’ para o santo sufi-cervo  ‘guiar’ os seus adeptos para a via espiritual de união com o Divino como guia e iniciador.

O cervo, antes caçado pelo homem xamanico, agora é ele o caçador e salvador de almas.

                               Dança da garça Alévi                                   

Os ‘caçadores’ sufi  agora apenas imitam o voo da garça nas suas danças cerimoniais durante o Dikr, deixando de lado o ‘jogo’ dos espiritos xamãnico com objectivos de cura para , agora, apenas se concentrarem numa coreografia mistica que visa a fusão das almas no Absoluto Divino.

sexta-feira, 19 de abril de 2013

O Esquimó e o Missionário




 


O esquimó pergunta ao padre : 
Se eu não soubesse nada sobre Deus e o pecado, iria para o inferno?

O padre responde: Não, se não soubesses de nada, não ias.

O esquimó então perguntou: 
Então porque é que você me contou?


sábado, 6 de novembro de 2010

O combate Interior e o Xamã da Mongólia


Certo dia na Mongólia , um Xamã da tribo local foi chamado para aliviar um individuo que dizia ter uma angústia constante na sua vida,sempre insatisfeito e à procura de algo .

Depois dos devidos rituais e de ter entrado em transe , o Xamã ao regressar do transe disse :

-- O teu problema não são as más energias, as energias , positivas ou negativas, que tens, são todas tuas,eu apenas combati contra o sofrimento que tu carregas .
Eu senti esse sofrimento plenamente ,ele te impede de te exprimires como És, de seres quem És.
Eu estive dentro de ti e senti isso !

Agora liberto desse sofrimento podes exprimir-te como és e viveres a tua vida sem mais angústia.

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

O Papalagui

O Papalagui aumentou a força de todos os seus membros. Alongou as suas mãos para lá dos mares, até às estrelas, e tornou os seus pés mais rápidos que o vento e as ondas. O seu ouvido é capaz de aperceber um sussurro em Savaii e a sua voz possui asas de pássaro. Os olhos dele até de noite vêem. Vê através do homem como se a carne deste fosse água límpida, e distingue as imundícies que há no fundo da água.

De tudo isto fui eu testemunha. Mas o que aqui vos digo é apenas uma pequena parte de tudo quanto os meus olhos viram, e me deixou estupefacto. A grande ambição do Branco é, podeis crer, realizar sempre novos e cada vez mais imponentes milagres. E assim, milhares de Brancos passam as noites em dificílimas pesquisas, a ver se descobrem como hão de vencer Deus. Pois é isso na realidade o que está em causa: o Papalagui aspira a tornar-se Deus. Gostaria de destronar o Grande Espírito e apropriar-se de todos os seus poderes. Deus é, no entanto, maior e mais poderoso do que o maior dos Papalaguis, mais as suas máquinas. É Deus quem decide qual de nós irá morrer, e quando morrerá. É a ele que em primeiro lugar obedecem o sol, a água e o fogo, e não será nos nossos dias que um Branco vai domar à sua vontade o nascer da lua e a direção dos ventos.

Enquanto assim for, nenhum daqueles milagres terá grande importância. Muito fraco será, queridos irmãos, aquele de nós que se deixar impressionar por tais milagres, aquele que, subjugado pelas suas obras, se prosternar perante o Branco, aquele que se sentir pobre e desprezível por não ser capaz de conseguir obrar coisas por suas próprias mãos e espírito. Pois ainda que esses milagres do hábil Papalagui se afigurem, aos nossos olhos, espantosos, vistos de perto, à clara luz do sol, não têm mais importância do que o simples ato de talhar uma moca ou de entrançar uma esteira. O que o Papalagui faz assemelha-se, ao fim e ao cabo, às brincadeiras de uma criança na areia. Nada do que o Branco faz pode igualar, de longe que seja, as maravilhas do Grande Espirito.

O Papalagui
Discurso de Tuiavii, chefe de tribo de Tiavéa, nos mares do sul.
p. 84