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sábado, 22 de julho de 2017

Vida activa profissional e Caminho espiritual




É possível evoluir espiritualmente tendo uma vida profissional activa?


Desde que o homem não se atire exageradamente às actividades, deixando-se absorver por elas, tornando-se incapaz de dominar e regular a sua actividade em função da Vontade de Deus, deixando de se guiar pela Luz mas apenas pelo espírito mundano.

Quem trabalha num projeto importante ou numa actividade manual, se de vez em quando fechar os olhos e agradecer a Deus estar vivo e com saúde, fará de certeza muito melhor o seu trabalho sem stress e com o coração pleno de Luz.

Quem se deixa absorver pelas actividades sem este cuidado especial, bem depressa perderá de vista a Vontade de Deus e acabará por fazer tudo de modo puramente humano, em stress, com angústia e sem a calma necessária até para fazer Bem o que está a fazer. 

Jesus não repreendeu Marta por estar a trabalhar, mas por estar a trabalhar sem levantar os olhos......( o equivalente ao fechá-los  noutras situações). 

"Marta, Marta, andas inquieta e perturbada com muitas coisas"....
Deus quer a actividade e o serviço generoso mas não a inquietação ansiosa, pois só uma coisa é necessária: a união e o abandono à Vontade de Deus em cada momento. 

Tudo depende da Intenção, podemos santificar ate as coisas mais pequenas e insignificantes e transformar em divinos os actos mais normais da vida, que assim em vez de me afastarem de Ti, me unem mais intimamente a Ti.
Isabel da Trindade
 




Senhor, eu não sou Luz para mim mesmo, posso ser olho mas não Luz.
Para que serve ter os olhos abertos se me falta a Luz?
Por mim mesmo sou apenas trevas mas Tu és a Luz que dissipa as trevas e me ilumina.
De mim não nasce Luz, só Tu ma podes conceder.
 
Santo Agostinho

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

A vida humana, o desapego e a morte




A VIDA HUMANA, O DESAPEGO E A MORTE

 Muito se fala nas tradições espirituais da necessidade do desapego.

Desapego de quê ?

Da nossa ligação ‘obcecada‘ e tradicional  pelas coisas e pelo mundo ‘normal’.

Também muito se fala da dificuldade desse desapego, pois o nosso eu, a nossa mente racional são teimosos, egocêntricos  e não se deixam controlar  fácilmente.

Porquê ?

Porque básicamente temos medo ...medo de morrer.

Morrer ?

Sim, pois quando mudamos de atitude, quando ‘pomos um pé ‘ na ‘porta do vazio’, o eu entra em pânico pois está a perder as suas ‘ancoras’, a sua estabilidade, a sua noção do permanente e arrisca-se a morrer, sim, morrer para a velha atitude segura’ e nascer para a nova atitude vazia’, vazia porque é desconhecida, não é vazia porque não tem nada lá dentro .... pelo contrário tem Tudo, tem a verdadeira Realidade absoluta, é uma mera questão de atitude, mas que é tremendamente dificil de mudar, pois o medo da morte é o medo do vazio, do desconhecido pois se ficamos sem ‘âncoras’ onde nos agarramos?

Aí o nosso ego e a  nossa mente rigida  lutam e lutam sem cessar, pois vêem que estão  a perder o ‘seu servo’ que busca ser livre, ser livre não do eu em sim mas da imobilidade rigida do eu que não quer ‘mudar de vida, de atitude’ e servir outro Senhor, pois como diz a tradição : 
Seja feita a Tua Vontade e não a minha.

Para isso existem técnicas variadas para ir controlando a mente e o ego onde a experiência e o conhecimento do que é verdadeiramente a morte fisica e o encarar frontalmente os seus medos está sempre presente, pois sem compreendermos, integrarmos e aceitarmos a morte não nos é possivel avançar no desapego tão essencial no caminho espiritual.

Um dos métodos é pensar todos os dias que a morte fisica é certa, nada é permanente, a morte até pode ser amanhã,  por isso que tal aproveitar desde já a oportunidade de vida que temos para nos tornarmos melhores seres?   
Sem mais desculpas nem atrasos mas sim mãos à Obra.

O apego é como sermos drogados, quem é viciado em droga, fica ‘agarrado’ a ela e torna-se dificil  ‘desgrudar’ dela, assim somos nós com o apego.  

Desapegarmo-nos sem a devida preparação é como se nos tirassem a pele e ficassemos nus, expostos aos olhos dos outros, é uma espécie de mergulho no escuro, no desconhecido, ou seja, uma espécie de morte e aí temos Medo e.... não mudamos, não queremos mudar do apego actual para o desapego desconhecido.   




A vida humana é uma  jóia preciosa
      

Segundo a doutrina budista tibetana, deviamos ter sempre presente os  factos abaixo referidos.

Quando um homem e uma mulher se unem sexualmente, biliões ou triliões de entidades espirituais desmaterializadas se juntam à volta do casal na ânisa deseperada de um renascer humano. 

As hipóteses no Universo de se nascer humano é uma percentagem  infima, tipo uma chance em triliões, por isso todas as entidades energéticas do Cosmo ‘sonham’ sobre isso. 

Apenas uma entidade entre os tais triliões o consegue, o felizardo ganhou o Euromilhões....

Ora quem ganha o Euromilhões vai esquecer a sorte que teve e desperdiçá-la? 
Deve antes de mais de reconhecer a sorte que teve, depois deve agradecer todos os dias essa oportunidade e a seguir deve usar o dinheiro ganho com parcimónia e sabedoria.

Isto se aplica a cada um de nós quando nos questionamos sobre a nossa vida  na Terra e porque aqui nascemos.


Primeiro reconhecer que tivemos a sorte de nascer humanos, que fomos nós a decidir isso, não alguém por nós, por isso vamos queixar-nos de termos problemas na vida a quem ??? aos nossos pais que foram por nós escolhidos ?  quando os únicos responsáveis fomos nós...., depois do reconhecimento desta verdade tão óbvia,  vem o agradecimento, a gratidão, a humildade diária perante esse facto, depois vem o conhecimento e a sabedoria de usar a vida que nós escolhemos com uma finalidade, um propósito que nos dignifique e nos faça felizes em permanência (e não o prazer curto e ilusório de prazeres materais que passam devido à  impermanência da vida,  apesar do nosso esforço em nos ‘apegarmos’ a  eles) e ir criando o nosso próprio Paraiso seja em vida seja após a morte fisica, Paraiso esse que não é mais que o nosso re-encontro com o Divino em nós que nos faz melhores seres para connosco e sobretudo para com os outros pela Compaixão divina que brota em nós durante o caminho espiritual, assim como desabrocha imaculada a flor do lótus no meio da lama de um pântano pestilento.

Como diria um Mestre tibetano :

Nós somos loucos se não praticarmos o Dharma todos os dias.