-- De onde vens e para onde vais ?
-- Venho de Deus na escuridão e para Deus vou na Luz.

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terça-feira, 26 de maio de 2015

Poesia Mistica Persa - O Jardim das Rosas


Gulistan - O Jardim das Rosas


O poeta persa Musharrif Od-Dîn Sa'adi, mais conhecido como Saadi (1184-1291), nasceu em Shiraza, estudou em Bagdade e transferiu-se para Isfashan, depois da invasão da pátria pelos mongóis. 

Passou então a correr mundo, entre 1226 e 1256. Depois da Índia, viveu em Damasco, como chefe árabe ou xeque, e, em Balbec, adquiriu fama de grande orador sacro. 

Retirou-se, depois, para o deserto, foi feito prisioneiro, até ser resgatado por um amigo rico, casando-se com a filha do benfeitor. 
Fez várias peregrinações a Meca, morrendo, em idade avançada, na cidade natal. 

É famoso por seu Divan, coleção de poesias líricas, e pelo Gulistan ("Jardim das Rosas"), contos morais, históricos e fantásticos, entrelaçados de trechos poéticos. 

Sua filosofia é que o divino está na natureza, e o poeta deve procurar as coisas com mais nitidez. 


No Gulistan há muitas anedotas, recordações e visões expressas com grande concisão e intenso amor da verdade.
Gulistan ("O Jardim de Rosas") é uma das principais obras da literatura persa.
Escrito em 1259 E.C., é uma das suas obras primas.


O Gulistan é uma coleção de poemas e histórias, da mesma forma que um jardim de rosas é uma coleção de rosas. 
É comumente citado como uma fonte de sabedoria.
Sa'di observa que compôs o Gulistan para ensinar as regras de conduta da vida tanto aos reis quanto aos dervixes , por exemplo, a primeira linha, louvando Deus, é acompanhada de uma pequena nota em vermelho que especifica que Deus é Sahib (senhor) e Malik (rei).

 Alguns excertos do Gulistan 

"Aquele que aprende e não coloca em prática é como aquele que ara e não semeia"

Água profunda dificilmente se perturba com a pedra que lhe arremessam;
e quando a sabedoria se irrita é porque não é profunda.


O tolo que sabe que é tolo, nisso, pelo menos, é sábio. 
Mas o tolo que pensa que é sábio, esse é realmente um tolo." 


O sábio Saadi, nascido em Xiraz, caminhava por uma rua com seu discípulo, quando viu um homem tentando fazer com que sua mula andasse.
Como o animal recusava-se a sair do lugar, o homem começou a insultá-lo com as piores palavras que conhecia.
Então o sábio aproximou-se dele e calmamente falou:
- Não sejas tolo... o asno jamais aprenderá tua linguagem. O melhor será que te acalmes, e aprendas a linguagem dele.
O homem não lhe deu ouvidos e continuou xingando o animal; o sábio afastando-se, comentou com o discípulo:
- Antes de entrar numa briga com um asno, pensa bem na cena que acabaste de ver.

Não é sábio discutirmos com alguém que ainda não esteja preparado para as coisas simples da vida, como por exemplo compreender o grande amor de Deus em todas as criaturas... é preciso saber calar para deixar um tolo falar!!!



                 Música com letras Misticas Sufis

Há um perfume sutil
que vem da Amada

De um Paraíso mais alto
da Casa da Sabedoria

Dá sete voltas
rodando a Caaba

Senti seu aroma
desde sempre

Pois já estava no Mundo
e me encantava

Como uma luz mais alta
que pressentia

A suma do deleite
no Jardim das Delícias

E estava sempre perto
para desabrochar
no cantar do Rouxinol.




                        
                    Música Mistica Persa


Um rei injusto perguntou a um santo homem: "O que é melhor do que uma prece?" O santo homem respondeu: "Vossa Majestade ficar dormindo até o meio-dia, para que nesse intervalo não possa afligir os homens".

Se vós cortejais o ricos, não procureis contentamento.

O homem religioso que se sente vexado com uma ofensa, não passa ainda de um ribeiro raso.


Ninguém jamais reconheceu a sua própria ignorância, exceto aquele que, enquanto o outro está falando e não acabou de falar, começa a falar. 

Se vós tiverdes uma perfeição e setenta falhas, vosso amante discernirá somente essa perfeição.

Não vos apresseis... Aprendei a deliberar. O cavalo árabe galopa a toda velocidade e logo se esgota; o camelo, com o seu passo firme, viaja noite e dia e chega ao fim da sua jornada.


Adquiri o saber, pois nenhuma confiança se pode depositar nas riquezas ou posses... Se um profissional perde sua fortuna ele não precisa lamentar-se, porque os seus conhecimentos constituem uma fonte de riqueza. 

A severidade do mestre-escola é mais útil do que a indulgência do pai.


Se a inteligência fosse aniquilada da face da Terra, ninguém poderia dizer "eu sou ignorante". 

A leveza de uma noz é sinal da sua vacuidade.

quinta-feira, 7 de agosto de 2014

Poemas de Hafez, Poeta Iraniano



 

 Poemas de Hafez 

Khwāja Šamsu d-Dīn Muḥammad Hāfez-e Šīrāzī, conhecido por seu pseudônimo Hāfez ou Hafiz, foi um poeta lírico e místico persa, nascido entre 1310 e 1337 na cidade de Xiraz na Pérsia (Irão).

Suas obras selecionadas (Divan) podem ser encontradas nas casas da maioria dos iranianos, que aprendem seus poemas de cor e os usam como provérbios e ditados até hoje. 
Sua vida e seus poemas têm sido objeto de muita análise, comentário e interpretação e têm influenciado a literatura persa pós-século XIV mais do que qualquer outra coisa.
Os principais temas de seus poemas são o amor e a exposição da hipocrisia daqueles que se colocaram como guardiões, juízes e exemplos de retidão moral. 
Seus poemas líricos, são notáveis por sua beleza, pelo fruir do amor, pelo misticismo e por temas misticos que haviam permeado a poesia persa.


Selecção de Poemas 



Quanto mais perto chego de você, Amado,
mais consigo ver que somos apenas Você e eu
neste Mundo.


 

No início, os pássaros não tinham o desejo de voar.
O que realmente aconteceu foi isto:
Certa vez Deus sentou-se perto deles tocando música.
Quando Ele partiu, eles sentiram tanto a Sua falta
que seu anseio fez asas brotarem neles,
necessitando vasculhar os céus.


Aborrecido?
Então fique comigo, pois Eu não estou.


Solitário?
Milhares de seres apaixonados e nus

habitam as cavernas antigas debaixo de 
Minhas pálpebras.

Riquezas?
Tome aqui um punhado,
todo Meu corpo é uma esmeralda que implora.
 


Eu aprendi tanto de Deus,
Que já não posso mais chamar-me
Cristão, Hindu, Muçulmano, Budista, Judeu.


A Verdade compartilhou tanto de si mesma comigo,
Que já não posso mais chamar-me Homem, mulher,
anjo ou mesmo uma alma pura.


 

Não viemos aqui para aprisionar,
Mas sim para nos entregarmos cada vez mais 
profundamente à liberdade e alegria.

Não viemos a este mundo extraordinário
Para nos mantermos reféns apartados do Amor.

Fuja, meu querido, de tudo que possa não
fortalecer as preciosas asas que estão brotando em você!

Pois não viemos aqui para aprisionar
Ou confinar nossos espíritos maravilhosos,
 

E sim, para experimentarmos cada vez mais
profundamente Nossa coragem, liberdade
e Luz divinas.


 

Por que apenas pedir para o asno em mim
Falar com o asno em mim,
Quando tenho internamente tantos outros
Animais lindos e pássaros coloridos brilhantes
Que estão todos desejando dizer algo maravilhoso
E estimulante para meu coração?

Pense sobre isso por um momento:
Eu nunca escutei um pássaro ou o sol dizerem
para Deus: sinto muito.


Tudo está aplaudindo hoje,
A luz, o som, todos os movimentos.
Passei por um coelho que puxou o címbalo
de seus bolsos ocultos e então piscou o olho.
Alguém viu isso e chamou um psiquiatra. 
Tentaram me prender por estar tão feliz.
Escute: este mundo é uma esfera de lunáticos,
não concorde sempre que ele seja real.

Mesmo com meus pés sobre ele
e o carteiro conhecendo minha porta
Meu endereço é num outro lugar.
 
O homem pequeno constrói gaiolas para todos 
que conhece.
Enquanto o sábio, continua deixando caírem

as chaves a noite toda para os lindos prisioneiros barulhentos.

 

Se você não está viajando e não
está na estrada, como pode 
chamar-se de guia?


Resista a sua tentação de mentir falando da sua separação de Deus, senão teremos que medicá-lo.
Ouça, eles têm clínicas lá também para os loucos 
que persistem em dizer coisas como:
 “Sou independente do Mar, Deus não está sempre por aqui gentilmente se apertando contra meu corpo.”

sexta-feira, 11 de outubro de 2013

Eu quero ser Iniciado !! Mas porque é que o Caminho é tão dificil e 9 em 10 desistem?





Porque 9 em 10 desistem de Caminhar,de Viver?

Esta metáfora Sufi ilustra a dificuldade do Caminho e a razão das frases bíblicas 'que muitos são os escolhidos e poucos os eleitos' ou que 'a porta é estreita e por ela só os magros=vazios do mundo e cheios de Deus, lá passarão'.

Houve um tempo onde haviam almas mas não corpos.

Nesse tempo reuniram-se as almas existentes.
Por trás delas apareceu o mundo com todo o seu esplendor.
Vendo-o,  9 almas em 10 correram para ele.
À direita das que restavam apareceu o Paraíso.
Vendo as suas maravilhas, 9 almas em 10, foram para lá.
À esquerda das restavam, apareceu o Inferno.
Vendo os seus terrores, 9 almas em 10, fugiram espavoridas.
Restavam poucas almas que não se preocuparam com nada e nem se mexeram.

Uma Voz divina disse: Almas loucas, que quereis vós? Nem o mundo, nem o paraíso ou o inferno vos aliciaram, que querem para deixar a Nossa Casa?

As almas suspiraram e disseram : Mestre Divino, só a Ti desejamos, Tu és a Certeza, fora de Ti nada existe.

A Voz respondeu: Mas sabem que essa vossa intenção vos trará inúmeros infortúnios ? Rios de intranquilidade, de angustia e desespero fluírão em vossos peitos ardentes.

As almas suspiraram de satisfação e disseram : Ó Senhor, nós sacrificaremos nossas vidas a esses rios. Receberemos as provas com aceitação e delas tiraremos os devidos benefícios, pois Tu só nos envias o devido e o necessário.

Cada alma tem seu segredo, cada uma imagina que ela é a única iniciada ao mistério divino, que nenhuma outra possui esse segredo do conhecimento.

É-lhe permitido crer isso, mas Ele ama apenas uma entre muitas.

As outras servem para revestir essa de véus, sofrem por ela.

É assim que 10.000 homens foram decapitados para que Moisés pudesse avançar na Via.

Se bem que todas as almas tenham o mesmo atributo, os eleitos são aqueles que alcançam o conhecimento e merecem a Graça.

Queres avançar? 

Deixa de exibir o teu esforço para fora como um troféu, para os outros, conserva-o secreto.

A Iniciação não reside em mudar de robe, não se adquire usando um turbante, uma coroa de sacerdote ou um avental maçónico ou de outra ordem iniciática mundana.

É a tua alma que tens de transformar se fores digno.

O  Caminho começa no mosteiro interior do teu coracão (constrói aí a tua casa, deixa a porta aberta e espera que Deus se digne aí ir residir), não em grutas, mosteiros, lojas iniciáticas, workshops e seminários modernos ou seitas-grupos pseudo espirituais.



O livro divino de Farid Attar

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

O Regresso à Montanha de Nietzsche

Ó! Solidão! Pátria minha! Vivi muito tempo em países selvagens estranhos, para não regressar a ti sem lágrimas!


Ameaça-me agora com o dedo, como uma mãe, sorri-me como sorri uma mãe, e diz somente: « Quem foi que em tempos fugiu do meu lado como um furacão? Aquele que ao partir exclamou: Demasiado tempo fiz companhia à solidão; esqueci-me então do silêncio? Foi isso sem dúvida, o que agora aprendeste?

Ó! Zaratustra! sei tudo! e sei que tu, irmão, te sentias mais abandonado entre a multidão do que jamais estiveste comigo.

Uma coisa é o abandono, e outra coisa é a solidão; eis o que aprendeste agora! Que entre os homens serás sempre selvagem e estranho mesmo que te amem; porque o que eles mais querem é que se lhes guarde consideração.

Aqui, porém, estás na tua pátria e na tua casa; podes aqui dizer tudo e espraiar-te completamente: aqui ninguém se envergonha de sentimentos ocultos e tenazes.

O abandono é muito diferente. Recordas-te Zaratustra, quando a tua ave se pôs a gritar por cima de ti, estando tu no bosque, indeciso, sem saber para onde ir, ao lado de um cadáver, quando dizias: “Guiem-me os meus animais!
Encontrei mais perigo entre os homens do que entre os animais”. Aquilo era abandono.

Ó! solidão! Pátria minha! Como a tua voz me fala celestial e afetuosamente!

Nós não nos interrogamos, não nos queixamos um ao outro: passamos juntos francamente pelas portas abertas.

Porque em ti tudo está aberto e iluminado, e as próprias horas deslizam aqui mais ligeiras, pois na obscuridade o tempo parece-nos mais pesado do que à luz.

Aqui eleva-se-me a essência e a expressão de todas as coisas: tudo o que existe quer exprimir-se aqui e tudo o que está em vias de existir quer aprender a falar de mim.

Lá em baixo todo o discurso é vão! A melhor sabedoria é esquecer e passar: foi isto o que eu aprendi agora.

A mim já não me agrada respirar o seu hálito. Ai! ter eu vivido tanto tempo entre o seu ruído e o seu mau hálito.

Ó! bendita solidão! Ó! puros aromas! Como este silêncio aspira o ar puro a plenos pulmões! Como este bendito silêncio escuta!

Pelo contrário, lá em baixo tudo fala e nada se ouve.
Entre eles tudo fala mas já ninguém sabe compreender.
Tudo cacareja mas quem é que quer ficar ainda no ninho a chocar ovos?
Entre eles tudo fala, tudo se divulga. E o que antigamente se chamava mistério e segredo das almas profundas, pertence hoje às trombetas públicas e a outros pregoeiros ambulantes.

Ó! singular natureza humana! Bulício em ruas escuras. Eis-te de novo atrás de mim: aquilo que é o meu maior perigo fica agora para trás de mim!

As contemplações e a compaixão foram sempre o meu maior risco pois todos os seres humanos querem ser contemplados e socorridos.

Eu estava entre eles disfarçado, disposto a desconhecer-me para os suportar, comprazendo-me em dizer, para me convencer: “Louco, tu não conheces os homens!”

Esquece-se o que os homens são quando se vive com eles. Há demasiadas afinidades em todos os homens.

Picado por moscas venenosas e roído como pedras pelas numerosas gotas de maldade, assim estava eu entre eles, e ainda dizia comigo: “Todos estes pequenos não são responsáveis pela sua pequenez!”

Especialmente os chamados “bons” foram os que me pareceram as moscas mais venenosas: picam com toda a inocência; mentem com toda a inocência. Como poderiam ser justos comigo?!

Ocultar-me a mim mesmo é a minha riqueza: eis o que aprendi lá em baixo — porque em cada um deles encontrei pobreza de espírito.

Não é necessário remover o lodo; basta viver nas montanhas.

Com o nariz satisfeito respiro outra vez a liberdade das montanhas! Finalmente o meu nariz libertou-se do cheiro de todos os seres humanos!

Assim falava Zaratustra.

Nietzsche - Assim falou Zaratustra 3, 9.