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segunda-feira, 19 de fevereiro de 2024

CRIAÇÃO DO SANTUÁRIO INTERIOR

 

   CRIAÇÃO DO SANTUÁRIO INTERIOR

 


Um modo eficaz de aumentar a consciencialização que tem dos seus guias espirituais é criar um santuário especial o interior da mente e da consciência onde se poderá dirigir para iniciar a comunhão com eles.

Use a sua imaginação na criação deste santuário.

Deve ser um local qúe possa visualizar e onde se sinta confortável e protegido.

Pode ser um templo, um lugar da natureza, ou um castelo nas nuvens.

É um local de intersecção onde os domínios físico e espiritual podem encontrar-se.

É um ponto o coração e na mente onde há um rareamento de véus entre os dois mundos.

É um local onde aqueles que se encontrarm no mundo espiritual podem encontrar-nos nos nossos próprios termos.

Quanto mais o desenvolver na sua mente, tanto mais forte será o seu contacto espiritual através dele.

Este santuário será seu.

Poderá criá-lo e alterá-lo à medida que o for construindo.

Inicialmente, poderá desejar usar os cenários seguintes, mas não se limite a estes.

Eles servem apenas como orientação para o ajudar a desenvolver o seu próprio santuário espiritual interior.

1. Comece o exercicio por se certificar de que não será  perturbado. Desligue o telefone, etc. Lave as mãos purificando-as, se possivel use um vestuário branco e esteja descalço ou apenas com meias confortaveis.   

2. Prepare a atmosfera queimando um pau de incenso.

3. Feche os olhos e relaxe. Faça um relaxamento prcgressivo ou qualquer forma   de respiração ritmada. Quando mais  relaxados estivermos, mais fácil será aceder ao subconsciente e estimulá-lo para a revelação do contacto espiritual.

4. Visualize agora o seguinte cenário. Imagine-o. Torne real através do poder criativo da mente:

À medida que relaxa, recolha todas as energias à sua volta, como se alguém lhe colocasse um xaile sobre os ombros.

Você está relaxado e em paz. Há uma sensação de antecipação, pois está prestes a ser apresentado a um dos seus ' guias espirituais.

Na escuridão da mente uma cena do Seu Santuario (local que escolheu) começa a ganhar forma.

Há o som de passarinhos, e você começa a sentir o calor do sol sobre si.

Sente o suave odor a Primavera das flores e do feno acabado de ceifar. Uma brisa leve acaricia-lhe o rosto.

Olhe à sua volta e veja que se encontra num pequeno jardim circular. A cor das flores recorta-se fortemente contra os verdes da relva e das árvores. Em volta do jardim, um bosque de carvalhos imponentes, cujos ramos se alarga como se o protegessem a si.

Respire profundamente o ar doce. Está relaxado e em paz. Conhece este lugar.

Sabe  que este é o seu refúgio. É um lugar onde pode ir retemperar forças e refrescar-se. É um lugar de vida e paz.

Repare que está sentado numa pedra. Esta parece te sido escavada na forma de uma cadeira para si neste jardim.

Fá-lo sentir-se sólido e ligado à terra.

Quando olha à sua volta, reavivando as lembranças deste santuário, vê um caminho que vem de uma montanha distante em  direcção a este jardim. Este caminho é ladeado de pedras de todas as cores e feitios.

No lado oposto do jardim, vê que este caminho continua. Ele sai do jardim em direcção a um vale distante.

Compreende estar num centro, uma intersecção do tempo e do lugar.É um santuário interior onde o real e o irreal se encontram.É um lugar de encontro do finito e do infinito, do fisico e do espiritual. O conhecimento deste facto é um acto libertador. Alivia-o do stress e da preocupação. Neste lugar há apenas «ser».

Enquanto se encontra sentado na sua cadeira de pedra, vê no caminho em direcção à montanha uma pequena luz dourada. Esta parece aproximar-se cada vez mais de si.

Flutua suavemente sobre o caminho em direcção ao seu pequeno santuário.

Esta luz é ténue e suave e, no entanto, resplandece com um brilho como nunca viu. Quando atinge o limite do seu santuário, pára; é uma luz cristalina pulsante.

 Você observa, à espera, mas ela não se mexe. Fica à entrada do seu jardim.

No início isso intriga-o. Depois lembra-se. Este é o seu jardim. Nada pode entrar  nele sem a sua perrmissão. Você considera que este pensamento é muito reconfortante.

Levanta-se devagar e dá um passo em frente. Baixa levemente a cabeça, reconhecendo a luz e dando-lhe permissão para entrar. A luz avança e fica a pairar  à sua frente.

A luz treme. Suaves raios dourados emanam dela. A luz parece abrir-se, como uma flor que desabrocha. A cada pétala desta luz que se abre, você vê que está qualquer    coisa ou alguém no seu interior. Então vê à sua frente um ser maravilhoso! Veja-o. Imagine-o. Saiba que é real.

Ao olhar para este ser, preste atenção àquilo que observa. Há cores específicas? Fragrâncias? Sente um toque ou ma picada em alguma parte do corpo?  Confie nas suas impressões.

Comece por conduzir uma conversa na sua mente com esse ser. Pergunte-lhe o nome.

Qual é o objectivo dele? Porque se encontra junto de si? Como poderá vir a reconhecê-lo mais conscientemente no futuro?

Não force as respostas. Deixe-as fluir naturalmente.Deixe que o ser comunique consigo acerca dele mesmo, que lhe diga porque está a trabalhar consigo e lhe transmita aquilo que vai ajudá-lo a realizar no futuro. Pergunte ao seu guia qual a melhor forma de o chamar no futuro.

Não se preocupe por estar eventualmente a imaginar tudo e que tudo possa ser produto da mente e não a realidade

Você não seria sequer capaz de imaginar tudo isso se não houvesse aí algo de real.

 Agora dê por finda a conversa.

Peça ao seu guia qual que coisa que você possa utilizar para verificar a sua existência.

Há alguma coisa na sua vida de que precisa de ter consciência? Há alguma coisa importante que precise de saber? Peça-lhe um toque, uma picada, ou uma sensação física qualquer numa altura específica ao longo dos próximos dois dias.    Faça um pedido razoável, que possa ser facilmente cumprido e confirmado.

Agradeça agora ao seu guia pela oportunidade que lhe deu de o conhecer e trabalhar consigo. Quando a luz dourada recomeçar a envolver o seu guia, deixe-o partir com os seus melhores pensamentos e afecto.

Enquanto ele se retira do seu jardim, voltando pelo caminho , você senta-se novamente na sua rocha. Compreende que neste santuário interno pode trazer à consciência todos os seus guias.

Este é um pensamento reconfortante, e sente-se excitado com a oportunidade de expandir os seus horizontes.

Respire profundamente, relaxando e reavivando a convesa na sua mente. À medida que o faz, o jardim começa a desaparecer. Revê-se a si próprio sentado  em sua casa, confortável e em paz, recordando tudo aquilo que experimentou .

Abra os olhos lenta e suavemente, consciente talvez pela primeira vez de que existe vida e energia em todas dimensões à sua volta.

5. Neste ponto é bom registar a sua experiência com seu guia. Anote tudo o que viu, sentiu ou aprendeu.

Registe também quaisquer novas impressões que possa acerca deste guia espiritual.

6. Concentre-se e ligue-se completamente ao seu corpo fisico. Como foi dito anteriormente, isto consegue-se através  uma refeição ligeira ou algum género de actividade física.


sexta-feira, 28 de fevereiro de 2020

6 Práticas de Purificação Espiritual


6  Práticas de Purificação Espiritual em periodo de Quaresma cristã ou Renascimento Interior

1)  Desconfiar do nosso afeto de propriedade  (instinto de posse)

Quem tem fome, impacienta-se enquanto não come.
Quem se impacienta, apega-se a algo, neste caso, o alimento, e perde o controle de si como Ser  Livre-Desapegado, perde a Paz  Interior e desvia-se da Estrada Real.
Quem assim se encontra é prato fácil das ‘tentações consumistas’  deste mundo e nele se perde.
‘’Nem só de pão vive o homem’  pois o seu Alimento principal é a Luz Interior que lhe dá a Paz e a Liberdade da sua Alma.
Infelizmente, Adão e Eva  seguiram este caminho errado : apoderaram-se diretamente do fruto. E nós fazemos o mesmo quando vivemos como seres independentes, esquecidos de que tudo nos vem de Deus   «Que tens tu que não tenhas recebido?» 

Para João da Cruz o obstáculo principal ao nosso crescimento espiritual reside naquilo a que ele chama o nosso «afeto de propriedade»
Deus não pára de nos dar, e nós recebemos pensando que esse dom é só para nós, ou então que obtivemos esse dom porque o merecemos. 
Pior, por vezes servimo-nos a nós mesmos à custa do bem dos outros porque temos inveja.
«A nossa vã ganância é de tal condição e sorte que a todas as coisas se quer apegar; é como o caruncho: carcome o que é bom e faz a sua obra em coisas boas e más.»

Assim nos agarramos a todas as coisas, muitas vezes inconscientemente, porque pensamos que somos o centro do universo. 
E admiramo-nos porque os outros não parecem perceber isso assim tão claramente…
Esta constatação geral não diz respeito apenas às realidades materiais, mas também aos bens espirituais. 
A nossa atitude de posse faz com que não aproveitemos bem os dons de Deus e que os desperdicemos.

Isso conduz à perda das «mercês de Deus,porque [a alma] as toma com propriedade e não se aproveita bem delas
E tomando-as com propriedade, e não se aproveitando delas, é querê-las tomar. Porque Deus não as dá para que a alma as queira tomar»  de forma egoísta .
Em vez de acolher reconhecidos esses dons e de os pormos ao serviço dos outros, consideramo-los muitas vezes com autocomplacência e caímos no delito de desviar as graças todas para nós.


2)  Desapegar-se… para aproveitar melhor

 Não desprezar os dons que recebemos, sejam eles naturais ou espirituais: tal talento inato, tal bem material, tal graça espiritual recebida. Mas, para melhor os aproveitar, temos que nos desapegar deles.
No homem espiritual «o gozo e o prazer das criaturas, aumenta mais desprendendo-se delas do que se olhar para elas com o desejo de as possuir

Este é um cuidado a ter, porque [o apego] causa uma inquietação que, como um laço, amarra o espírito à terra e não lhe deixa ter o coração livre.»
Sabemos por experiência: a nossa atenção é mobilizada pelas coisas às quais estamos apegados. Quando estamos focados em determinada coisa não conseguimos ver o que se passa à volta e a nossa interioridade permanece estreita e egoísta.

Aquele que não se considera possuidor, ao não estar preso, «goza de todas as coisas como se as possuísse», enquanto o que as considera como sua propriedade «perde o gosto de todas elas em geral. 
O primeiro, parecendo não ter nenhuma delas no coração, tem-nas todas com grande liberdade, como diz S. Paulo (2 Co 6,10); 
o segundo, porque tem a vontade um pouco presa a elas, não tem nem possui nada. 
Ao contrário, elas é que lhe roubam o coração e, por isso, como cativo, pena. Daqui se conclui, portanto, que aos gozos que quiser ter nas criaturas, hão de necessariamente corresponder outras tantas aflições e penas do seu preso e apossado coração.

A quem está desprendido, as preocupações não o apoquentam nem na oração nem fora dela. Sem perda de tempo, granjeia facilmente muitos bens espirituais.»

A Lliberdade a que  fomos chamados é à Liberdade de sermos filhos do Criador do Universo  : a capacidade de aproveitar de todas as coisas e de não sermos submergidos pelas nossas preocupações. Pelo contrário, aquele que não empreende este trabalho de desapego continua escravo daquilo a que está apegado
O seu coração está possuído e sofre terrivelmente. 

Julga-se livre, mas está escravizado pelas suas paixões. 

Só o apego ao Criador nos torna livres e semelhantes a Ele e nos dá Paz interior neste mundo de transição para a nossa verdadeira Pátria.
Na tradição cristã, face ao diabo, Jesus demonstra ser  um homem profundamente livre; afirma a sua identidade ao rejeitar todas as armadilhas do adversário. 
E consegue fazê-lo porque está desapegado de tudo exceto do seu Pai Criador do Universo.


3)  Recorrer ao Discernimento e à Razão.

É de capital importância para o caminho espiritual conhecermos bem as fases desse mesmo Caminho com base nas tradições escritas e orais, ignorar isso é caminharmos  sem rumo e ás cegas para o abismo .

Como poderíamos unir-nos ao Senhor se não O conhecêssemos?

Esse Conhecimento discernido ajudar-nos a calar os pensamentos interiores que nos causam perturbação.  
Por exemplo, se me sentir tentado pelo desencorajamento, digo: «O Senhor é minha luz e salvação; de quem terei medo?»
Se  for provado pela inveja, digo: «Na partilha foram-me destinados lugares aprazíveis e é preciosa a herança que me coube.» .

Compete-me descobrir as passagens das Sabedorias que mais me ajudarão a lutar contra os pensamentos de morte e a redescobrir a Paz interior e a comunhão com Deus.

4)  Recorrer  à nossa compreensão da  

Além  de Conhecer é preciso aplicar a nossa razão- compreensão na altura de  agir.
Conhecemos este procedimento  humano: citar o que alguém disse fora do contexto em que foi dito para desacreditar essa pessoa.
João da Cruz insiste no papel da nossa inteligência para a vida espiritual. O Verbo (logos, em grego) significa Palavra, mas também Razão. 
A nossa razão é desde logo um dom de Deus que nos ajuda a ler corretamente como devemos agir.  

É, pois, inútil procurar revelações extraordinárias que poderiam desviar-nos do Caminho  certo.
Não nos deixemos, por isso, impressionar por qualquer acontecimento milagroso que possa ser um artifício humano ou diabólico.
«Não há necessidade nenhuma disso, pois existe a razão natural, a lei e as doutrinas das várias tradições espirituais por onde se podem muito bem reger.
Se nos comunicassem coisas sobrenaturais, quer queiramos ou não, só devemos aceitar aquilo que se coaduna muito bem com a razão e o Saber.» 

O ser humano tem fascínio pelo paranormal e pelo extraordinário
Embora Deus possa agir de maneira espetacular, raramente o faz e só se não Lhe deixarmos outra opção. O que nos convida, pois, a uma grande prudência e à escuta da voz Interior acerca de tudo o que sai do ordinário: aparições, sinais, milagres, etc. 
O discernimento far-se-á a seu tempo. 
É necessário que tenhamos confiança na razão mas também no acompanhamento espiritual no qual escutamos a voz Interior que nos guia e orienta.


5)  A caminho da Liberdade

Agora já nos apercebemos melhor de que a nossa jornada Espiritual não será uma viagem aprazível. 
Não faltarão turbulências nem desilusões. 
As tentações são muitas e capazes  de utilizar o nosso desejo de Luz  para nos enganar:  

Não nos deixemos enganar pelas falsas grandezas deste mundo.

Recordemo-nos que não podemos ser santos pelas nossas próprias forças, mas apenas estando sempre na dependência do nosso Pai.

Quanto mais formos Filhos e Filhas de Deus,mais seguros estaremos. 
Os Filhos de Deus são livres de si mesmos e esta liberdade é bem diferente da liberdade do mundo que as tentações nos apresentam . 

«Todo o senhorio e liberdade do mundo, comparado com a liberdade e senhorio do espírito de Deus, é sumamente escravidão, angústia e cativeiro. (…) [a liberdade não pode habitar num coração curvado a quereres, porque é coração de escravo, mas num livre, que é coração de Filho


6)  A caminho da Transformação

É necessário que aceitemos entrar num profundo caminho de transformação
Não poderemos unir-nos a Deus sem mudar radicalmente a forma de pensar, falar e agir.

O Papa Francisco tem esta frase que resume este  dificil caminho ‘’ Não devemos ser como as  «pessoas que de cristãs só têm o verniz’’ . Hoje uma gratificação, outro dia uma cunha  e, pouco e pouco, chegamos à corrupção». 
Tornamo-nos então «cristãos mundanos,pagãos pintalgados com duas pinceladas de cristianismo», «habituados à mediocridade» .

Ofereçamo-nos então com confiança ao Espírito Divino que nos conduziu ao deserto. 

Ele saberá destruir o obstáculo em nós e fazer-nos caminhar cada vez mais alto até aos cumes de Deus.

Boa caminhada


segunda-feira, 29 de agosto de 2016

O Exame de Consciência diário ou o Coaching Espiritual




Exercicio Espiritual de Comunhão diária com o Divino 


O exame de consciência é uma forma de aproximação entre a criatura e Deus.

‘’Onde eu estava quando não estava com o Senhor?"

O exame de consciência é de grande importância para quem quer crescer espiritualmente pois fornece indicações preciosas do nosso comportamento diario e de como andámos na virtude ou no pecado de modo a sabermos nos arrepender dos erros e evitá-los de futuro e a crescer nas virtudes. 

Existem dois tipos de exame. 

Existe um tipo, chamado superficial que é aquele que se detém nos atos, ou seja, nos pecados cometidos durante o dia ou ao longo da vida.
Existe um outro exame de consciência profundo, que é aquele que mergulha no coração. 

Ora, sabe-se que o que se recolhe ao coração são os hábitos, as disposições habituais que, em geral, dão um rumo à vida. 
Se os hábitos são bons, a vida ruma para o bem, se são maus, a vida está desorientada. 
Então, é preciso mergulhar nos hábitos e identificá-los. 

Para tanto, a pergunta fundamental que deve ser feita é: "onde está o meu coração?" 

O próprio Jesus afirmou nesse sentido: "onde está o teu coração, aí está o teu tesouro". 

É a mesma pergunta que Deus fez a Adão ao entardecer do terrível dia em que o pecado veio ao mundo. 
Na brisa, Deus queria se encontrar com um amigo e perguntou: "Adão, onde estás?" 

É precisamente a resposta à pergunta do Senhor que interessa ao exame. "Onde eu estava quando não estava com o Senhor?" 

Uma história recolhida num mosteiro do Sinai conta que, nos principios do cristianismo,  havia um eremita chamado Pedro que na sua gruta, falava constantemente consigo mesmo e dizia : 'Pedro, onde estás?' e logo respondia : ''Estou aqui, meu Senhor, estou aqui !! '' e isto 24 horas ao dia ....
 
Que belo exemplo de concentração e focagem. 
Soubessemos nós ter esta atenção ao Criador no dia a dia e o Homem estaria bem perto da sua Patria celeste.

O coração do homem precisa estar centrado em Deus e o exame de consciência serve para mostrar o quanto é grande o afastamento, o quanto se está longe de Deus, do centro. 

Os pecados e as disposições habituais são apenas sintomas desse doença que é a distância do núcleo que é Deus. 
Portanto, identificar para onde está sendo orientada a vida é parte decisiva na cura. 

Definido o exame de consciência, é possível dividi-lo em três partes: 

A primeira é o chamado "golpe de vista", ou seja, aquele olhar que identifica os atos (superficial) e também aquele mais profundo que olha os hábitos já arreigados. 

A segunda é a contrição, na qual a pessoa percebe que o pecado não só machuca e destrói, como manda para longe o Céu e aproxima perigosamente o Inferno (atrição). 

Nessa etapa é preciso dar um passo além, o passo do amor filial, saindo da condição de temor servil, percebendo a ofensa cometida contra o Pai amoroso e imbuindo-se de um verdadeiro arrependimento por ter causado a ofensa. "Senhor, eu pequei, perdoa-me". 

A terceira etapa é a resolução ou o propósito de amar mais a Deus, cortar na raiz os maus hábitos e os vícios arreigados no coração.

A frequência ideal do exame de consciência é três vezes ao dia, segundo Santo Ignácio de Loyola, sendo o primeiro pela manhã, de modo preventivo, olhando para a vida, para os vícios e atos maus costumeiramente praticados, orientando as próprias disposições a não cometê-los. 

O segundo, logo após o almoço, avaliando como o dia foi conduzido até aquele momento e reforçando o desejo de acertar (ou não errar) no restante do dia. 

Por fim, à noite, antes do dormir, o exame de consciência noturno é o mais importante dos três, pois não versa somente aquele dia (particular), mas deve ter o caráter geral, da vida toda e de como ela está sendo orientada, colocando diante de Deus toda miséria, louvando-O pelos bons atos realizados e colocando toda a confiança na misericórdia Dele e meditando no fato de que a salvação só pode vir pela Graça divina. 

Pode ser feito apenas 2 vezes ao dia (antes do almoço e antes de deitar) ou apenas 1 vez antes de deitar consoante a disposição humana, a inspiração divina e a Força de cada um. 

Quanto mais frequentemente o fizer, mais natural lhe parecerá. Isto se converte na formação da consciência, numa relação mais próxima com Deus. 

Pode durar de cinco a quinze minutos. 
Na realidade não importa quanto tempo dure; o importante é que se chegue a responder e a reconhecer os movimentos e a manifestação de Deus nele. 

Fazendo assim não há dúvida de que a vida será realmente convertida, conduzida para Deus, naquilo que os antigos chamavam de epistrofe, mudar o rumo, a direção da vida, para que a ovelha errante perdida encontre o Pastor da Alma no fim de cada dia e em todos os dias da vida.

 

O exame de consciência é o desejo mais profundo do coração humano. 

Quem busca encontrar a Vontade divina para dispor da sua vida depara-se com um Desejo intenso de Deus. 

O desejo de Deus pode ser alimentado de várias maneiras, leituras sacras, meditações, retiros espirituais. 

O exame diário é a busca diária de Deus em nós, onde Ele está hoje activo em nós, em que direção nos está a conduzir, onde podemos discernir as várias 'moções' que se nos deparam constantemente, se estamos a resistir a esse condução divina com nossos pecados e tentações ou se estamos a deixar fluir esse sopro divino para caminharmos no bom sentido e descobrir o crescimento a que Deus me está a chamar e assim realizar esse Desejo profundo de Deus que nos motivou a iniciar este exame. 

Não há nada na vida espiritual que possa substituir este exame diário que busca esta percepção do modo como Deus dirige quotidianamente as nossas vidas. 

Um coração que se examina assim é um coração que está em 'vigia' permanente e escancara as portas da nossa alma a Deus para Ele nos guiar e caminhar connosco pela vida fora. 

Será possivel viver assim nesta 'vigia', nesta tensão permanente de auto observação? 

Sim, é possivel, não é fácil mas com motivação e Fé em Deus, é a única forma de comungarmos com o nosso Senhor e Pai e darmos sentido a termos nascido neste mundo imperfeito e nos aperfeiçoarmos continuamente em vida para sermos Perfeitos como quem nos criou e vivermos eternamente na liberdade infinita da Sua contemplação.

O exame é a oração do crescimento espiritual em continuo, sem o exame 'estaria apenas a reagir e não a responder ao longo do dia'. 

Requer um movimento inicial de predisposição-aceitação deste acto diário por parte de cada um de nós, mas é sobretudo, com a decorrer da continua prática diária, um Dom, uma Graça de Deus. 

O movimento inicial é O Desejo que descobrimos em nós :
Ó Deus, Tu és o meu Deus !
Anseio por Ti!
A minha alma tem sede de Ti! 

Nesta prática nos mostramos disponiveis para Deus guiar pela Sua Vontade o nosso caminho na vida, que muda no Bom sentido na realidade com este ‘ouvir’ e comunicar todos os dias com Deus.

Existem cinco passos no exame de consciência. 

No entanto, é muito importante que a pessoa se sinta livre de estruturar a forma do exame de consciência que mais lhe ajude. 
Não há uma forma específica ou correta de fazê-lo, também não é necessário seguir os cinco passos, cada vez. 
Por exemplo, uma pessoa talvez se encontre a si mesma, passando todo o tempo nos dois primeiros pontos. 

A regra básica é : vá, onde Deus o levar. 
E isto nos leva a outro ponto importante: o exame de consciência é primáriamente tempo de oração; é estar com Deus. 

Os cinco pontos são: 

- Gratidão – OBRIGADO

Coloca-te na presença de Deus, que em ti habita, que te ama e te dá as boas-vindas, que te ilumina e te guia.

Meu Deus, Te agradeço tudo que me deste hoje e aqui estou de coração aberto para Te amar como Tu me amas.
Rende graças a Deus por todos os benefícios que recebeste neste dia. Dá graças a Deus pelo que te permitiu fazer neste dia; pelas alegrias e dificuldades, pelas palavras de alento e gestos de generosidade, por tua família e amigos, por todos aqueles que te ajudaram a crescer como pessoa. 

No inicio do exame agradecer a Deus tudo o que nos deu é algo que nos enobrece e atrai para nós mais Graças Dele, que nos ama e só deseja que nos demos por inteiro a Ele. 

Ao agradecer estamos a reconhecer a nossa fraqueza e impotência sózinhos perante a vida, a gratidão pelos bens e graças recebidos é grandemente estimada e amada, tanto no céu como na terra. 

No exame do dia que maior benção que este nosso reconhecer das graças e dons  recebidos nesse dia e assim também reconhecer o Amor de Deus por nós. 

Começar o exame com uma nossa doação a Deus é abrir o nosso oração à comunicação amorosa de Deus connosco.
Com a prática este agradecimento poderá fazer-se na hora em que aconteça, reconhecermos no momento o dom que recebemos e logo pensemos em Deus e Lhe agradecemos de imediato essa graça concedida. 

- Petição - AJUDA-ME 

Meu Deus, Te peço que me ajudes a discernir o que hoje aconteceu e a separar o bom do mau de modo a crescer nas virtudes e combater os pecados. 

Pede a Deus que este exame te ajude a ganhar força para além das tuas capacidades, estás a pedir uma Graça divina.  Pede a Deus a Graça de conhecer os teus pecados, impurezas e imperfeições humanas. 

Aqui voltamo-nos para Deus e pedimos humildemente que nos ajude a bem examinar este dia, pedido baseado na nossa Fé e Esperança na Sua Graça.
É um pedido de Luz e Força. 

Pedimos um conhecimento e percepção/ discernimento nitidos sobre tudo o que se passou neste dia, para que possamos analisar as partes positivas (vindas de Deus) e negativas (vindas do Diabo, do mundo e do nosso ego) de modo a agirmos para  superar tudo o que impede a nossa relação com Deus, manter cada vez mais a atenção ao Seu serviço e ir diminuindo as nossas quedas, pecados e tendências que nos afastam de Deus. 

A prática deste segundo passo fortifica a nossa Esperança na ajuda de Deus ao nosso discernimento das moções do dia e dá Força sobrenatural à nossa fraqueza natural. 

- Revisão-  AMOR 

Meu Deus, ajuda-me a rever este dia, no que toca a experiências vividas, hora a hora, periodo a periodo, donde elas vieram e quais as suas causas. 

Examina como viveste este dia.  Recorda os momentos desde o despertar até agora. Analisa teus pensamentos, tuas palavras, tuas ações. 

Que se passou em tua vida e em tuas relações? Como Deus se manifestou em ti? Que te pediu? Como respondeste: com generosidade ou com egoísmo, com honestidade ou com falsidade ? Que agitações  tiveste, vindas de Deus ou de outro lado ? Como respondeste às agitações e a todas as restantes solicitações  do mundo ? Com reflexão prévia ou impetuosamente nelas mergulhaste ? 

Que se procura nesta revisão? Que tipo de experiencias são significativas espiritualmente?
Sobretudo discernir entre as consolações e desolações e perceber a causa das desolações. 

Revisão ajuda a adquirir lucidez no que se passou para agir em conformidade para harmonizar a sua vontade com a Vontade de Deus, o seu desejo com o Desejo de Deus. 

Nesta revisão perguntamos: Onde Deus esteve presente -consolação, e onde esteve ausente- desolação, em que direcção fomos chamados, como respondemos, que inclinações tivemos, como lhes aderimos ou resistimos. 

Agimos no sentido de Deus ou no sentido do Mal? 

Este auto conhecimento permite-nos derrotar a desolação com as melhores armas. 

- Perdão -- PEÇO DESCULPAS 

Meu Deus, perdoa-me das faltas e pecados hoje cometidos e ajuda-me a corrigi-los e evitá-los da próxima vez. 

Pede a Deus perdão de tuas imperfeições.
Pede perdão por falhar em compreender ou responder a outros, em suas dificuldades e dor. 
Pede perdão por não amar a Deus com todos os aspectos da tua vida. 

Tendo revisto antes as faltas cometidas há pedir perdão a Deus por elas com humildade e arrependimento. 
É um passo a pedir uma Graça, um Dom a Deus. 

Passo de elevada importância na nossa relação com Deus, estamos perante o Criador a pedir perdão das nossas faltas. 
Somos frágeis e pequenos e mesmo assim o Senhor nos perdoa porque tanto nos ama como filhos, como podemos nós não amar e perdoar o nosso semelhante? 

O primeiro passo do agradecer a Ele, preparou-nos para este quarto passo de Lhe pedirmos perdão pois agora sabemos que somos amados por Ele. 

A experiência de pedir perdão tem de ser de alegria e conforto no Pai e não de terror de castigo, pois agora sabemos que o nosso Deus é um Deus de Amor e não de punição definitiva. 

Este pedido diz tudo sobre a nossa relação com Deus, é quase um dialogo entre dois corações que se relacionam, aqui nos libertamos da auto punição e crescemos espiritualmente em direcção a Deus. 

Pedimos perdão de quê?
Das faltas que descobrimos, no passo anterior de revisão, ter feito. 

- Renovação- FICA COMIGO 

Meu Deus, ajuda-me a me corrigir daqui em diante de acordo com o que hoje aprendi. 

Oferece oração de compromisso cheio de esperança.
Estou consciente de minhas debilidades, porém confio na força de Deus.
Renovo o meu compromisso de seguir o caminho que Deus me oferece como fonte de luz para toda criação, tomo a resolução de melhorar a minha vida com a Graça e ajuda de Deus. 

Que esta nova consciência me ajude a melhor caminhar para Ti aumentando as minhas virtudes e capacidades e combatendo os meus pecados. 

Este quinto passo se liga ao crescimento espiritual, para o dia seguinte com as lições bem aprendidas do exame de hoje, implementando as correcções que se viram como necessárias. 

Assim continuamente aprendemos com a experiencia e crescemos espiritualmente. 

Amanhã saberemos melhor como lidar com cada situação que se nos apresente, numas com paciência,  noutras com perseverança, noutras com humildade e auto controlo. 

Pelo exame do dia recebemos dicas, pontos a corrigir, informação sobre nossa relação com os outros e é com base nessa 'base de dados' que vamos 'processar' o nosso futuro. 

Por ex. se recebeu uma mensagem de 'espera' vai ter de refrear a sua intenção de acção.
É o passo que dá espaço para a Criatividade quotidiana no Senhor. 

Do Senhor que nos acompanha fielmente como peregrinos na vida seja em forma de 'coluna de nuvem ou de fogo'. 

Conjunga a nossa parte, nos corrigirmos, e a parte Dele, a Sua Graça para praticarmos nos dias seguintes o que agora sabemos precisa de ser corrigido, desde pequenas modificações de atitude até alterações significativas da nossa maneira de actuar. 

Consciente da Presença de Deus, agradece-Lhe e despede-te até amanhã com o coração cheio de Luz e Força. 


Conclusão 

1 e 2) Nos dois primeiros passos entramos explicitamente em oração. 

O exame de consciência é um momento de oração, é relação explícita com Deus. Caso contrário, torna-se numa auto-análise e a referência que tomamos para confrontar a nossa vida pode ser bastante relativa. 
No primeiro passo crescemos em gratidão e aumenta a nossa consciência do amor de Deus por nós. 
Só assim é possível olhar para as nossas faltas com o sentido de não correspondência ao amor de Deus, em vez de um olhar moralizador de quem toma as faltas como infracções de regras (não corresponder à amizade de um amigo é muito diferente de infringir regras de trânsito!).

3) O terceiro passo é vital para que vivamos como pessoas conscientes e não como autómatos. 

Quantas vezes chegamos ao fim do dia e não nos lembramos do que almoçámos? 
Pois é... e tantas outras coisas há que, no meio da confusão e das coisas que se sucedem umas às outras, acabam por nos escapar. 
Como é que podemos dizer que vivemos a 100% se há coisas que nos acontecem ou que fazemos sem darmos por elas? 


4) Depois, o pedido de perdão liberta-nos da arrogância de sermos nós próprios a nossa referência. 

A nossa única referencia é o Criador.
Procuramos aqui fortalecer a relação com Deus e está presente o desejo de que nesta relação possamos corresponder ao amor que Ele tem por nós.

5) Por fim, com o quinto passo tomamos as rédeas da nossa vida. 

Esta oração tem consequências práticas. 
Somos nós que decidimos como queremos agir e como queremos corrigir aquilo que nos parece que está mal. 
Aqui o conselho é de que tenhamos paciência e não querer corrigir tudo de uma vez – nem todas as faltas, nem de uma só vez. 
Aos poucos, com pequenos passos, mas firmes. 
E no dia seguinte, ao fazer o exame de consciência, olhar estes propósitos e ver como têm tido efeito, ou não, para continuar ou afinar o nosso “remédio”.


Tabelas de apoio aos exames 

Esta tabela de linhas usa-se quando se fazem 2 exames ao dia, a meio do dia e antes de deitar, mas pode se adaptar a apenas 1 ou 3 exames ao dia. 

O exame é feito para anotar defeitos e negligências no combate aos nossos vicios diários para os poder ir corrigindo.

G =======================          Domingo
2f =========================    
3f =========================
4f ===========================
5f ==========================
6f ============================
S ============================

Na linha de cima coloca-se um ponto ou uma cruz por cada vez que se cometeu defeitos e negligências no combate aos nossos vicios até à primeira Avaliação do dia. 
Na linha de baixo coloca-se um ponto ou uma cruz por cada vez que se cometeu defeitos e negligências no combate aos nossos vicios até à segunda Avaliação do dia.

Nesta tabela se descreve o que se sentiu em cada uma das 5 etapas do exame.  

Exame

1. Obrigado_______________________________________
2. Dá-me luz______________________________________
3. Luz e Sombras_______________________________________
4. Perdão______________________________________________
5. Amanhã será melhor__________________________________