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terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

Aprender a Discernir os Espiritos


Como bem Discernir

São precisos 2 actores neste processo de discernir, Deus e o homem.

Deus sopra um vento, uma voz interior.
O homem tem de trabalhar para entender e colaborar com esse sopro,essa Voz , pois essa parte de Deus não nos chega totalmente definida, precisa da escuta, da analise, da adesão do homem.

O Discernimento é um dialogo permanente entre a intenção de Deus e a intenção do homem e tem como resultado a nossa colaboração com a intenção de Deus a nosso respeito.

Colaborar com a Vontade de Deus não significa anular a nossa própria vontade, mas esclarecê-la à luz de Deus e alinhá-la pela Sua Vontade.

Não significa sermos nada e nos anularmos para que Deus seja tudo mas assumir-se livremente todo disponivel, todo inteiro para Deus.

Embora Deus tenha uma intenção, um propósito para cada um de nós, Deus decidiu de ' modo algo misterioso' que a realização dessa intenção deveria depender das nossas opções face ao livre arbitrio com que nos criou e nos concedeu.

Deus passeia-se no meio dos nossos pensamentos e afectos, mas nem todos vêm de Deus.


É preciso ser muito perspicaz na distinção da origem destes movimentos que circulam no nosso complexo mundo interior.

De um lado vém os movimentos de Deus ou do bom espirito, de outro lado vêm os movimentos das tentações ou mau espirito, douto lado ainda, surgem as tendências e disposições da nossa natureza humana.

Há movimentos a combater e rejeitar , outros a aceitar e reforçar.
Para isso é preciso sabermos distingui-los, a isso se chama Discernimento de Espiritos.


Antes de aprendermos a bem discernir temos de decidir com todo o nosso coração que queremos viver a nossa vida no caminho de Deus, que Ele é nosso Pai, Senhor e Criador e a nossa única motivação de vida, ponto de partida essencial sem o qual não vamos a lado nenhum, espiritualmente falando.

A partir deste ponto de partida e abrindo o nosso coração, começamos a aprender a distinguir os movimentos bons dos maus e seguir a linha de Deus, que de inicio nos parece torta mas logo se indireita para no curso do tempo e das experiências que vamos tendo, irmos melhor compreendendo a lógica de Deus que supera a nossa.

No caminho espiritual vamos tendo alternâncias de consolações e desolações e é a essa alternância que devemos estar atentos para ir identificando as boas das más e ir crescendo na identificação da presença de Deus para a conseguirmos manter cada vez por mais tempo.

O bom espirito é como uma gota de água que cai numa esponja, é suave, dá serenidade, coragem e força para avançar, dá consolações, liberta dos obstáculos e faz-nos avançar na prática. 
Dá uma consolação que ultrapassa todas as nossas expectativas e logo a sentimos como boa, divina, pois contém em si mesma a evidência da sua origem divina. 



O mau espirito é como uma gota de água que cai numa pedra, actua com dureza, causa tristeza e tormentos de consciencia, levanta obstáculos e falsos raciocínios para nos deter no caminho.


As regras do discernimento ajudam-nos a manter a consistência de caráter no meio da alternância de consolações e desolações, dando rumo certo ao nosso caminho para Deus e não para o diabo ou o mundo.

Em tempo de consolações devemos aprovar os movimentos e propósitos que recebemos e ganhar forças para enfrentar no futuro as desolações.

Em tempo de desolações não devemos alterar os própositos anteriormente adoptados em tempo de consolação e manter-nos fiéis a eles, além de nos dar uma oportunidade de refletir sobre a causa dessa desolação e encontrar estratégias para a vencer.

E como os maus espiritos se mascaram de bons para nos perder, é necessário dar tempo ao tempo para reconfirmar que essa boa consolação de Deus não vem afinal do diabo, com o tempo a pessoa sente isso, pelo desenrolar do seu caminho, se vai em direcção a Deus ou não.


O fim ultimo do discernimento não é descobrir que Deus está dentro de nós mas sim conseguir mergulhar fundo na nossa alma e encontrá-lo lá à nossa espera para juntar a Sua Vontade às nossas energias criativas, acertando o ritmo da nossa vida com o ritmo de Deus.


Deus deixou a marca da Sua grandeza na criatura, esta não descansa enquanto não se abrir à grandeza que Deus lhe propõe .

A união com essa grandeza não é ter tudo mas ter o que Deus nos dá, como melhor para nós, a cada momento, ele que nos conhece melhor que nós mesmos.

Assim a sabedoria de vida é deixarmo-nos envolver e colaborar seja com o grandioso das maravilhas divinas seja com o pequenino detalhe em concreto que faz das nossas vidas uma permanente dinâmica que nos enche a alma de felicidade como filhos e colaboradores do Pai.

Sabedoria essa que só com muita prática de discernimento se consegue.


A Fé em Deus significa aceitar o ritmo de Deus para nós, ritmo diferente do nosso, mas que leva a nossa vida a bom termo.

Esta Fé clarifica a seu tempo o que antes parecia confuso e sem sentido.

A Fé em Deus é um pressuposto do discernimento mas o discernimento também aumenta a Fé em Deus.

No fim de vida que maior alegria,  ao olhar para trás, verificarmos que vivemos em função das nossas opções profundamente assumidas, verificarmos como crescemos e fizemos um percurso fecundo, trabalhoso mas cheio de consolações divinas.

quinta-feira, 28 de janeiro de 2016

O Dom do Discernimento


O Dom do Discernimento

O Pai Poemen disse que o Pai Amonas disse:
Alguém pode passar a vida com um machado sem chegar a conseguir cortar a árvore, enquanto uma outra pessoa, conhecedora da arte de derrubar árvores, pode abater a árvore em poucos golpes.
O machado é o discernimento.

A arte do discernimento, da escolher, deve ser aprendida através do estudo e da prática, cometendo erros e ganhando experiência ... até que se torne espontânea, instintiva, inata, como dirigir um carro ou tocar um violino ou ser mestre na sua profissão.

Nossa profissão é sermos especialistas no Espírito; saber discernir é saber separar o trigo do joio, saber o que vem de Deus e o que vem do Diabo , o que devemos fazer e o que não devemos.

Quando aprendemos a arte do discernimento sabemos em cada momento em que temos de tomar uma decisão, qual a melhor maneira de a tomar, como que uma mão invisivel nos indica esse melhor caminho.

‘’As ovelhas seguem o Seu pastor, porque conhecem a Sua voz; a voz do pastor é o que indica o caminho às ovelhas''.


Uma alegoría sobre o discernimento dos homens é o som de uma flauta na floresta.

Vasta e densa, onde mil pássaros cantam e muitos animais rosnam , onde há trovões e tempestades e o farfalhar das folhas ao vento . Símbolo do mundo e da vida, com suas ansiedades e preocupações, distrações no meio do ruído da existência.

Muitos homens passam pela selva do dia a dia e dos ruídos da floresta.

Alguns vão tão rápido que não ouvem nada, outros tremem ao ouvir o rugido do tigre ou o silvo da serpente, outros seguem o som de vozes para chegar à aldeia mais próxima.

Outros se perdem. 


Outros morrem sem saber para onde estavam indo.

Outros dão voltas e voltas de uma voz para outra, de um caminho para outro.

Mas para aqueles que têm ouvidos para ouvir e querem ouvir, há um som, suave, mas especifico, diferente de todos os outros sons e que chega aos ouvidos e ao coração com uma mensagem e um apelo diferente, como uma flauta que indica um sentido e uma direção.

O som vem de algum lugar.

Cada dia de um lugar diferente, de uma direção inesperada. 


Para a alma estar sempre alerta e vigilante e pronta para ir.

Isso é discernimento: a capacidade de distinguir o som da flauta entre todos os outros sons.


Outro símbolo de discernimento é o cisne.

Na mitologia indiana, o cisne tem a capacidade de separar a água do leite com seu bico, de modo que se lhe derem leite misturado com água, ele bebia só o leite e deixava a água.

Portanto, em sânscrito, a arte do discernimento é chamada de ‘’ciência da água e do leite’’ e o cisne é o seu símbolo e modelo.

Quem tem apurado discernimento deve ter a capacidade de discernir a verdade quase por natureza, por ação espontânea, dividindo as águas turvas do mundo com a ponta afiada do entendimento 



Outro exemplo é o radar.

A vigilância constante circular a 360 graus sem poupar nenhum setor da bússola, feixe de luz imparcial a varrer os céus em intervalos medidos, reconhecendo instantaneamente a presença de qualquer objecto no horizonte de consciência, a identificação eaxacta, a reação imediata e a viragem precisa no momento certo, abrindo o caminho perfeito para a rota invisivel e segura.

Sem um bom radar não se voa nem navega.


Nos animais existe um tipo de discernimento, neles natural e instintivo ( ao contrario do homem que o tem de aprender) que lhes permite fazer longas migrações e discernir os tempos e marés, estrelas fixas e constelações, caminhos no céu e voar e voar todos os dias e aterrar no lugar exacto no tempo predestinado em cada ano.

Para nós é confiar no Espírito e deixar seus impulsos despertarem dentro de nós. 

Aí terá lugar em nossas vidas o milagre da migração para terras prometidas.


Como distinguir o Bem do Mal, a Voz Divina da voz do diabo?

A Voz do Bem é como uma gota de água que entra uma esponja; não faz ruido nem agitação.

A voz do diabo é quando a gota de água cai sobre uma pedra , há ruido e agitação. 



A esponja, ao contrario da pedra, nasceu na água, como a alma nasceu no Espírito, e, portanto, reconhece a sua presença, convida sua vinda, agradece sua carícia.

Mensagens de Deus trazem a verdadeira paz à alma, o silêncio e alegria, e assim a alma reconhece sua origem e segue as suas instruções.

Mensagens do diabo, por mais tentadoras que possam parecer à primeira vista, em breve causam inquietação, ruidos, ansiedade e medos.



Discernir é ver a cada momento tudo como se fosse a primeira vez, de fresco, livre de preconceitos, com uma aparência limpa e um julgamento desinteressado.

Nada estraga mais uma decisão a tomar como uma atitude preconcebida, um preconceito, uma abordagem de rotina. Quando a rotina preside a uma escolha, a decisão já estava tomada antes de colocar o problema e o discernimento morreu antes de nascer.

E, no entanto, isso é tão comum que nós nem sequer percebemos isso.

Demasiadas vezes deixamos que costumes, tradições e rotina tomem decisões em nosso nome.
Há um precedente, um caso semelhante, sempre se fez assim ... e vamos continuar a fazê-lo, que é o mais confortável, sem percebermos que repetir uma decisão é viciá-la, na vida não há duas situações iguais e por conseguinte, não pode haver duas decisões idênticas.

Permitir ser governado pelo passado, simplifica as coisas mas destrói a criatividade, a iniciativa.



Discernir é eliminar obstáculos (apegos, afectos desordenados, condicionamentos) para restaurar o equilíbrio, aumentar a consciência e ver o que se tem de ver e escolher em liberdade e espontaneidade o que se tem de escolher, sobre o fundo existencial de nossas vidas.

A decisão errada ocorre, quando o medo, o preconceito ou a paixão fecham as janelas do sentir e a mensagem que devia chegar ao centro não chega, fecham-se os canais e os canos ficam entupidos, os dados que deviam chegar ao coração e ao cerebro não chegam e a decisão sai irremediavelmente errada. 

 
Quando o homem perde o contacto com a Realidade não consegue discernir e fazer escolhas Boas.

 
A Arte do Discernimento é viver o que vem do ‘alto’ embora estejamos cá em ‘baixo’. Olhar para cima para ‘absorver’ o fio condutor e usar essa ‘indicação’, essa mãozinha oculta para agirmos neste mundo.