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sábado, 12 de março de 2016

Os pecados mortais - A Preguiça



Preguiça

Procura desordenada do repouso e do prazer em nada fazer, negligenciando o seu bem espiritual. 

A preguiça é um desperdício da vida que Deus nos deu. 

Tem relação com a queda do homem do Paraíso e a maldição que Deus lhe deu, de trabalhar e comer com o suor do próprio rosto. 

A preguiça quebra a ordem divina nos dez mandamentos onde Deus diz que o homem deve trabalhar seis dias e descansar somente no sétimo, à semelhança Dele quando criou o mundo. 

Na tradição cristã, a preguiça é o pecado de não fazer nada de útil com o dom de Deus que é a vida.  

  
"As mãos preguiçosas empobrecem o homem, porém as mãos diligentes lhe trazem riqueza. Aquele que faz a colheita no verão é filho sensato, mas aquele que dorme durante a ceifa é filho que causa vergonha." Provérbios 10:4-5 

Salomão disse: “O desejo do preguiçoso o mata, porque suas mãos se recusam a trabalhar”. 

Este parece ser o elemento que faz da preguiça um dos sete pecados capitais: o desejo, ou melhor, a falta de desejo. 
O preguiçoso não faz nada com os próprios desejos e isto torna sua vida infrutífera. 
Para vencer a preguiça é preciso trabalhar, mas para trabalhar é preciso ter desejo e fazer algo útil com ele. 
O preguiçoso necessita resgatar o desejo dentro de si e “mexer” com ele.


A preguiça é um vício anexo à sensualidade, porque vem, afinal, do amor do prazer, do prazer de nada fazer, que nos leva a evitar o esforço e o incômodo. 
Há, efetivamente, em todos nós uma tendência ao menor esforço, que nos paralisa ou diminui a atividade. 

Pecado que acontece quando temos tempo e saúde a nossa disposição, mas não fazemos coisas boas e úteis, apenas pelo “prazer de fazer nada”. 


Não é pecado o justo descanso nem o tempo empregado no lazer e no relaxamento físico e mental, mas sim o ato de se desperdiçar sistematicamente as oportunidades que recebemos para realizar coisas boas para a nossa vida e/ou para as vidas dos nossos próximos. 

Preguiça está relacionada ao desânimo, à apatia, à indolência, ao desleixo; é um desejo crônico de “descansar”, mesmo que não se esteja cansado. 



Sua Natureza 

A) A preguiça é uma tendência à ociosidade ou ao menos à negligência, ao torpor na ação. 
É uma doença da vontade, que teme e recusa o esforço. 
O preguiçoso quer evitar qualquer trabalho, tudo quanto lhe pode perturbar o sossego e arrastar consigo fadigas. Verdadeiro parasita, vive, quanto pode, a expensas dos outros. 
Manso e resignado, enquanto o não inquietam, impacienta-se e irrita-se, se o querem tirar da sua inércia. 

B) Há graus diversos na preguiça. 

     a) O desleixado ou indolente não se move para cumprir o seu dever senão com lentidão, moleza e indiferença; tudo o que faz, fica sempre mal feito. 

b) O ocioso não recusa absolutamente o trabalho, mas anda sempre atrasado, vagueia por toda a parte sem fazer nada, adia indefinidamente a tarefa de que se encarregará. 

c) O verdadeiro preguiçoso, esse não quer fazer nada que fatigue, e mostra aversão pronunciada para qualquer trabalho sério do corpo ou do espírito. 

d) A preguiça nos exercícios espirituais chama-se Acídia : é um certo fastio das coisas espirituais que leva a fazê-las desleixadamente, a encurtá-las, e até às vezes a omiti-las por vãos pretextos. 

A palavra vem de 'ácido' e significa aquelas pessoas que são 'ácidas', que dizem mal de tudo, os Velhos do Restelo, que acham que nada vale a pena, que tudo vai dar ao mesmo, que é tudo a mesma coisa... Não passa de uma forma mais ou menos sofisticada de Preguiça. 

No fundo o que eles querem é não estar com o trabalho. 
Não querem que os outros façam, para que eles não tenham que fazer também.


A alma cansa-se dos exercicios espirituais, quando neles não encontra gosto ou prazer sensiveis e tende a encurtá-los ou suprimi-los.
A alma deixa-se levar pelo desânimo, quando lhe pedem novas práticas que a retiram da rotina e lhe exigem mais esforço.
Quereria manter uma espiritualidade mais acomodativa, que não viesse perturbar-lhe a tranquilidade da rotina e tirá-la do comodismo.


Malícia

A) Para compreendermos a malícia da preguiça, cumpre-nos recordar que o homem foi feito para o trabalho.
Quando Deus criou o nosso primeiro pai, pô-lo num paraíso de delícias, para que nele trabalhasse. 

É que, efetivamente, o homem não é como Deus, um ser perfeito; tem numerosas faculdades que, para se aperfeiçoarem, necessitam de operar: é pois, uma exigência da sua natureza trabalhar para cultivar as potências, prover às necessidades do corpo e alma, e tender assim para o seu fim. 

A lei do trabalho precede, pois, a culpa original. 

Mas, depois que o homem pecou, tornou-se para ele o trabalho não somente uma lei da natureza, senão também um castigo, isto é, tornou-se penoso, como meio que é de reparar a sua falta. 
Com o suor do rosto havemos de comer o nosso pão, tanto o pão da inteligência como o pão que nos alimenta o corpo. 

A preguiça viola o propósito de Deus - as boas obras. ‘’Assim como o corpo sem o espírito está morto, assim também a fé sem obras é morta’’
Ora, a esta dupla lei, natural e positiva, é que o preguiçoso falta; comete, pois, um pecado, cuja gravidade se mede pela gravidade dos deveres que descura.




a)    Quando chega a omitir os deveres religiosos necessários à própria salvação, há falta grave. 
O mesmo se diga, quando despreza voluntariamente, em matéria importante, algum dos seus deveres de estado. 

b)   Quando este torpor o não leva a descurar senão deveres religiosos ou civis, de menor importância, não passa de venial o pecado. 
Mas a ladeira é resvaladia; se não se luta contra a negligência, não tarda esta em se agravar, tornando-se mais funesta e culpável.


B) Quanto à perfeição, é a preguiça espiritual um dos obstáculos mais sérios, por causa dos seus funestos resultados. 

a) Torna a vida mais ou menos estéril. 
É exatamente o que se encontra na alma do preguiçoso: em lugar das virtudes, por inacção, são os vícios que lá crescem, e os muros, que a mortificação tinha elevado para proteger a virtude, caem pouco e pouco, preparando o caminho à invasão do inimigo, isto é, do pecado. 

b) Dentro em breve, efetivamente, se tornam mais veemente e importunas as tentações: a ociosidade é péssima para o crescimento espiritual do homem, na verdade, o espírito e o coração do homem não podem estar inativos: se não se absorvem no estudo ou em qualquer outro trabalho, são logo invadidos por um sem-número de imagens, pensamentos desejos e afetos; serão, pois, pensamentos sensuais, ambiciosos, orgulhosos, egoístas, interesseiros, que tomarão o predomínio em nossa alma, expondo-a ao pecado.


C) Não é, pois, somente a perfeição da nossa alma que está aqui em jogo, mas até a sua eterna salvação. 

Porque, além das faltas positivas em que nos faz cair a ociosidade, só o fato de não cumprirmos os nossos deveres importantes é causa suficiente de reprovação. 

Fomos criados para servir a Deus e cumprir os nossos deveres de estado, somos operários enviados por Deus para trabalhar na Sua vinha.
Ora o Senhor não exige somente aos obreiros que se abstenham de fazer mal; quer que trabalhem. 

Por conseguinte, se, sem cometermos atos positivos contra as leis divinas, cruzamos os braços, em vez de trabalharmos, não nos há de o Senhor recriminar, como aos obreiros, a nossa ociosidade. 
A árvore estéril, só pelo fato de não produzir fruto, merece ser cortada e lançada ao fogo.



Gera: 

a) Falta de coragem em relação aos meios de perfeição, que parecem muito penosos. 

b) Os mandamentos comuns a todos são uma fonte de tristeza e são negligenciados. 

c)  Ressentimento contra aqueles que nos querem conduzir a caminhos mais perfeitos e desprezo pelos próprios bens espirituais. 

d) Desvio para as coisas interditas - Procura de outros bens interditos, para preencher o vazio afetivo. 

Na Divina Comédia de Dante o 4º patamar do Purgatório é a Preguiça (Acidia) onde os Preguiçosos são obrigados a correr sem parar, uma atividade incessante, o oposto do que fizeram em vida.


Remédios 

A) Para curar o preguiçoso, é necessário antes de tudo inculcar-lhe convicções profundas sobre a necessidade do trabalho, fazer-lhe compreender que ricos e pobres estão sujeitos a esta lei e que basta faltar a ela para incorrer na eterna condenação. 

E esta a lição que nos dá Nosso Senhor Jesus Cristo na parábola da figueira estéril. ‘’Três anos a fio vem o dono buscar os frutos; não os encontramos, dá ordem ao pomareiro que corte a árvore’’. 

E ninguém diga: eu sou rico, não tenho necessidade de trabalhar. 


Se não precisais de trabalhar para vós mesmos, deveis fazê-lo para os outros. 
É Deus, vosso Senhor, que vo-lo manda: se vos deu braços, cére­bro, inteligência, recursos, foi para que os utilizásseis para Sua glória e para bem de vossos irmãos. 

E certo que não são as obras de caridade ou zelo que faltam: quantos pobres para socorrer, quantos ignorantes para instruir, quantos corações aflitos para consolar, quantas empresas para fundar, a fim de dar trabalho e pão aos que o não têm!   



A preguiça danifica o bem geral, como o particular. 

B) Às convicções cumpre juntar o esforço consequente e metódico, aplicando as regras traçadas acerca da educação da vontade. 
E, como o preguiçoso recua instintivamente perante o esforço, importa mostrar-lhe que não há, afinal, ninguém mais infeliz que o ocioso: não sabendo como empregar ou, segundo a sua expressão, ‘’matar o tempo’’ enfada-se, desgosta-se de tudo, e acaba por ter horror à vida. 



Não vale mais fazer um esforço para se tornar útil e conquistar um pouco de felicidade, ocupando-se em fazer felizes à volta de si mesmo? 

Entre os preguiçosos, há alguns que desenvolvem uma certa atividade mas unicamente em jogos, desportos, reuniões mundanas. 
A estes, necessário lembrar-lhes a seriedade da vida e o dever de se tornarem úteis para que dirijam a atividade para um campo mais nobre e tenham horror de ser parasitas. 

Mas o que nunca se deve cessar de lhes recordar é o fim da vida: estamos aqui, na terra, não para vivermos como parasitas, senão para conquistarmos, pelo trabalho e pela virtude, um lugar no céu. 



E Deus não cessa de nos dizer: 
Que fazeis aqui preguiçosos? 
Ide também trabalhar na minha vinha.

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