-- De onde vens e para onde vais ?
-- Venho de Deus na escuridão e para Deus vou na Luz.

quarta-feira, 7 de junho de 2017

A Natureza é uma manifestação do Divino



A Natureza é o primeiro degrau da viagem espiritual.

A Natureza é uma manifestação do Imanifesto, do Divino.

A esse nível, somos transportados da superfície da realidade comum, deixamos para trás, ainda que temporariamente, a dualidade da perspectiva do “ego” e recebemos lampejos da Unidade da Realidade Divina.

Muitos de nós temos tido destes momentos de esquecimento de nós mesmos, um sentimento de unidade cheio de alegria e de gratidão, talvez quando encaramos um belo nascer ou pôr do Sol, de estarmos imersos na luz da Lua Cheia, rodeados por um deserto que de repente floresce ou de estarmos sozinhos no topo duma montanha nevada. 

Estes momentos são inesquecíveis e instilam uma convicção absoluta na existência duma Realidade Superior que abrange e envolve tudo.

“Conhecemos” então essa Essência Divina em nós e à nossa volta.


Este nível de consciência conduz-nos, finalmente, ao segundo nível de contemplação das coisas que não são vistas pelos sentidos, mas directamente “por um simples relance do espírito”, que é o resultado da oração contemplativa profunda e silenciosa ou “oração pura”que apenas é possível mover-se entre estes níveis abrindo mão, gradualmente, de todos os pensamentos, imagens e formas (por ouras palavras, do “ego”, o nosso pensamento do lado esquerdo do cérebro).

É uma mudança da multiplicidade para a simplicidade e para o silêncio puramente pela repetição da “fórmula”.


A chave – prestar uma atenção monofocal ao momento – está longe de ser fácil.


Muitos de nós, quando enfrentamos uma mente cheia de pensamentos e imagens, chegamos à conclusão de que “isto não é para mim!”
Não consigo fazer isto!” e desistimos.


Não somos os únicos. Plotino (205 – 270) – uma grande influência sobre o Cristianismo inicial – dizia: “Como é que, tendo tão grandiosas coisas dentro de nós, não as percepcionamos?... Como é que certas pessoas nunca as activam de todo? “


Mas nós temos a escolha de desistir ou de perseverar.


João Cassiano sublinhava a importância da livre vontade nesta passagem: “Consequentemente, mantém-se sempre no ser humano uma livre vontade que pode ou negligenciar ou amar [..]; a Graça.


Esta citação mostra que é necessário, não apenas prestar atenção, mas também a Graça.

Não podemos entrar nesta mais alta consciência apenas através da nossa força de vontade.

 
Precisamos do apoio do Espírito Cósmico, que nos alcança através da parte espiritual do nosso ser. 


Este dom do apoio do Espírito Cósmico/Santo é o que chamamos “Graça”, na Tradição Cristã. 



Como explica Evágrio: “O Espírito Santo tem compaixão da nossa fraqueza e, embora sejamos impuros, Ele vem muitas vezes visitar-nos. 

Se encontrar o nosso espírito a rezar a Ele, por amor à verdade, então, desce sobre nós e dispersa todo o exército de pensamentos e de raciocínio que nos cerca.” 


A parte importante nesta citação é “se encontrar o nosso espírito a rezar a Ele, por amor à verdade”.


Pois, para este dom da graça nos alcançar, a nossa Intenção, o nosso desejo de nos religarmos à Realidade Superior “o nosso amor pela verdade” – desempenha um papel ainda mais importante do que a atenção monofocal sobre a nossa palavra. 

segunda-feira, 24 de abril de 2017

Mindfullness e Caminho Espiritual


Mindfullness e Caminho Espiritual

Hoje em dia está na 'moda' o mindfulness seja de forma individual ou empresarial.


Texto abaixo reflecte os seus pontos fortes e fracos no tocante à real evolução espiritual do homem.
 

mindfulness já era  ensinado por Evágrio, um Padre do Deserto Cristão do séc. IV, e como este mostrou que era uma parte integrante da viagem espiritual. 

 
Ele via-o como um caminho para “purificar as emoções”, para as fazer retornar à sua essência pura original dada por Deus. 


Sublinhava que, se não nos tornarmos conscientes da forma como as nossas emoções têm sido distorcidas pelas nossas experiências condicionadas e têm causado feridas no nosso ego, o nosso sentido superficial de identidade, não teremos a percepção de que as consequentes energias negativas, os nossos “demónios”, nos cegam para a nossa verdadeira realidade, para a dos outros e para a do(a) próprio(a) Deus. 

 
Desta forma, eles irão impedir o nosso crescimento e a nossa transformação final num ser humano “plenamente vivo”. 

Muitas pessoas começam com o mindfulness, na nossa sociedade secular, pois ele reduz o stressa desgraça do nosso tempo – e, assim, aumenta o sentido de bem-estar e de harmonia consigo mesmo e com os outros, tornando a vida no local de trabalho mais descontraída e harmoniosa.

Nota: A maioria que hoje começa a fazer Mindfullness nem sequer pensa ou quer pensar em evolução espiritual e menos ainda sobre Religião.


Pela mesma razão, há apenas alguns anos, a meditação ganhou grande popularidade e foi apresentada com muita ênfase pelos media. 

Mas, devido ao enquadramento da meditação numa tradição espiritual, a atenção deslocou-se agora para o mindfulness, por causa da sua conotação supostamente livre de religião. 

Porém, é interessante notar que Jon Kabat-Zinn, o primeiro a expor ao mindfulness, encontrou esta prática na tradição budista que seguia e apercebeu-se de que muitos dos seus doentes beneficiariam com a prática, mas poderiam ficar desencorajados por uma coisa abertamente religiosa.





O foco no presente, no Aqui e Agora, é uma parte essencial da prática do mindfulness, seja duma forma secular ou de forma espiritual. 

São ambas benéficas no aumento da nossa consciência de nós mesmos, dos outros e do nosso ambiente e ajudando-nos a viver no mundo em que nos encontramos e a lidar com os problemas que estamos a experienciar.


Mas o mindfulness com um enquadramento espiritual leva-nos mais longe no caminho, ao tornar-nos atentos ao nosso ser/consciência como um todo e permitir-nos experienciar a nossa ligação integral com o Divino, que proporciona orientação, significado e propósito às nossas vidas e não só apenas a eliminar o nosso stress diário......


segunda-feira, 20 de março de 2017

O Caminho Iniciático dos Justos e Perfeitos




O Caminho Iniciático dos Justos e Perfeitos
segundo a tradição Hindu 

O Caminho dos Justos e Perfeitos é aquele que leva à Realização Integral do Homem em todas as suas vertentes, sobretudo a ESPIRITUAL, que é a sua verdadeira vocação e função aqui na Terra, e que é motivo de um rol imenso de encarnações, de ascensões e quedas, mas sempre com um último e supremo propósito
o do regresso à CASA DO PAI, o da integração na sua própria e Divina Unidade, logo, por consequência imediata, no Absoluto.

Verdadeira Realização Interna, cujo fim último é levar o Homem a superar a Roda dos Nascimentos e Mortes, a Roda de Samsara, matando o Karma passado e ressuscitando no Dharma presente, este que é, no fundo, a consciência do Dever para consigo mesmo e para com o seu Deus… presente em tudo quanto vive, seja visível ou invisível.

Prática e Fases da Iniciação

1) AUTODOMÍNIO para o exterior
    INOFENSIVIDADE, respeitando a vida do outro, não matar;
    SINCERIDADE, não mentindo nem enganando ninguém;
    CONTINÊNCIA, em todos os seus actos;
    HONESTIDADE, não roubando nem enganando o próximo;
   e DESAPEGO, não se apegando a nada, tanto material como espiritualmente.

2) AUTODISCIPLINA interior  
  SERENIDADE ou domínio das vibrações agitadas da mente e dos desejos;
  ASPIRAÇÃO ardente que é a de possuir um objectivo iniciático, espiritual de vida e nunca se desviar dele;
  BOA LEITURA, não só no que respeita à escolha de bons livros, mas também à prática de outros gostos no   aspecto artístico que ajudem sempre a desenvolver e elevar a ESPIRITUALIDADE e AMOR ao MESTRE INTERNO, tendo consciência e confiança no EU SUPERIOR, o único INALTERÁVEL em quem podemos confiar incondicionalmente.

3) POSTURA do corpo
 Pelo simples exercício do poder da VONTADE consciente, deve cultivar novos e saudáveis hábitos no CORPO e adaptá-lo, vocacioná-lo aos desígnios do ESPÍRITO, para que este possa manifestar-se nos Mundos mais densos da Terra e do Homem. 
 E como o ESPÍRITO também assim o CORPO físico se torna flexivel.

4) RESPIRAÇÃO CONSCIENTE ,  é outro ponto importante na Iniciação, pois é através dele que absorvemos o Alento vital Cósmico ou Prana alentador do Universo manifestado, dinamizando a nossa vitalidade, ampliando o nosso estado de consciência e proporcionando uma vida estável e estabilidade na saúde. 
É graças ao Pranayama que absorvemos os “hálitos vitais” dos 5 elementos da Natureza: Terra , Água, Fogo, Ar e Éter. 
De referir que, além da respiração, também os alimentos e o ambiente que nos rodeia influi positiva ou negativamente sobre nós, indo enriquecer ou empobrecer o Sangue, o líquido vital – por ser a “densificação” do mesmo Prana – segundo os Iniciados. 
Pela importância que desempenha nos nossos veículos psicofísicos, um sangue impuro impede-nos de aceder às mais elevadas vibrações espirituais, enquanto um sangue puro implica átomos da mais refinada qualidade, imprescindíveis para os próprios rituais.

5) ABSTRAÇÃO – a completa paralisação de qualquer actividade psicomental, isto é, o controle das actividades mentais e emocionais nocivas à nossa própria evolução, ou seja, o domínio dos sentidos inferiores, evitando as acções geradas pelas paixões desenfreadas e pelos pensamentos desarmónicos, sendo que o êxito nesta etapa proporciona praticamente ficarmos isentos de karma, ficando ao alcance a possibilidade de usufruirmos da plena liberdade dos verdadeiros Iluminados.

6) CONCENTRAÇÃO – o supremo controlo do pensamento, a concentração num objecto interno, ou seja, conectarmo-nos com o “Vazio” (repleto… de Luz Espiritual), o que o Budismo Xintoísta chama de estado Zen. Vazio que não o é, pois está preenchido pelas mais elevadas vibrações provenientes do nosso Espirito, levando-nos a eliminar qualquer tipo de vibração que nos seja causa de instabilidade mental e emocional, sendo que só assim poderemos finalmente ouvir a Voz do Silêncio, a Voz provinda do Santuário Interno do nosso Eu Imortal.

7) MEDITAÇÃO – nesta etapa elevadíssima da Iniciação verdadeira, o discípulo adiantado apresenta-se desnudo de preconceitos, inibições e vícios diante da sua própria consicencia, e é quando fica em condições de falar e ouvir ao seu Mestre, pois ao nos livramos das ilusões da Deusa Maya, isso nos faz comunicar com o nosso MestreE silencioso que sempre esteve presente, mas desta vez O ouvimos, pois alcançamos a SABEDORIA de O ouvir, sendo Ele a própria voz da nossa consciencia, e assim mesmo indo em nós despertar o Divino.

8) ÊXTASE – é o último e supremo Passo, sendo impossível de explicar com a mente concreta o que acontece ao mais alto nível da Consciência. 
Não é para ser explicado e sim para ser vivenciado, sendo o oitavo estado, a oitava coisa, a oitava acima, a sintese dos sete estados anteriores. 
É a Suprema Realização Espiritual já alcançada pelos grandes Iniciados cuja Partícula Divina mergulha no seio do próprio ETERNO, do TODO de onde um dia saiu. 
É o regresso à Casa do Pai, sendo que quando se atinge semelhante estágio os Seres deixam de ter um estado pertencente à condição humana, tomando a excelsitude de BODHISATTWAS ou BUDAS DE COMPAIXÃO, que preferem ajudar a aliviar o KARMA da Humanidade em provações dando provas magistrais do seu grande amor e altruísmo pela mesma, e de BUDHAS ou Aqueles que alcançaram a ILUMINAÇÃO INTEGRAL e se absorveram para sempre no Divino Todo, “desaparecendo” Nele, isto é, para sempre ficaram UM COM ELE no Mundo sem Forma da Substância Universal, Infinita.


“Quando o Homem na Terra colocar a Mente ao lado do Coração, alcançará as maiores venturas do Céu”.

A disciplina que leva à realização integral do homem, apresenta-se em 3 etapas predefinidas:

1.ª – A PREPARAÇÃO, que desenvolve os sentidos espirituais.

2.ª – A ILUMINAÇÃO, que aviva a Luz Espiritual.

3.ª – A INICIAÇÃO, que permite a comunicação com Deus e os Deuses.

A actividade no mundo interno ou espiritual, resume-se à vigilancia dos sentidos para que haja desenvolvimento verdadeiro.
Trata-se de uma tarefa muito árdua, espinhosa, pois os defeitos, vícios não querem ceder a sua hegemonia às qualidades, virtudes e lutam pela sua sobrevivência, em continuar assentes nas nossas personalidades. 
No entanto, essas forças não devem ser destruídas mas sim transformadas em valores espirituais, através da prática da meditação .

O ser humano deverá entender os dois pólos da manifestação, o material e o espiritual, em conjunto e não em separado, isto se quer viver em harmonia com ambos e tornar-se uno consigo e com a Divindade, alcançando o Perfeito Equilibrio.

Existem cinco tipos de pessoas que buscam a Iniciação: 
a Curiosa, que tão-só procura matar a sua curiosidade e, como todo o processo é oculto, desiste; 
a Céptica, que duvida de tudo até do seu cepticismo, acabando por desistir; 
a Indiferente, que chega à Iniciação por causa dos outros e, como tanto faz como fez, sai como entrou; 
a Fanática, que é a pior, porque continua na Iniciação de onde retira poderosos alimentos para o seu fanatismo que a afasta da realidade iniciática ou espiritual; 
a que Busca a Verdade, esta sim, pode ser iniciada nos Mistérios menores, ligados à evolução da Humanidade, e nos Mistérios Maiores ligados à Evolução do Universo, ambos os Mistérios afins aos arcanos das Hierarquias Espirituais que assistem ao Homem e ao mesmo Universo.

O Iniciado faz-se, não é feito por ninguém; o sigilo sobre as venturas recebidas deve ser absoluto, acompanhado da maior humildade; ademais, só quando o Discípulo (a personalidade) está pronto (alinhado ou integrado) o Mestre (a individualidade) aparece (manifesta-se).

O que acabamos de dizer vai ao encontro da tétrade cabalística SABER – OUSAR – QUERER – CALAR, muito bem simbolizada pela Esfinge, a eterna guardiã dos Mistérios Iniciáticos da Humanidade, logo, da verdadeira Evolução do Ser humano. 



A Iniciação tem por objectivo despertar um novo estado de Consciência no corpo do discípulo, o qual é instituído em função da Obra a fim de preparar os seres humanos para uma missão superior, que é a trabalhar para um ideal condigno àquela e que os vá libertar da inércia colectiva, por isto havendo necessidade de dois tipos de ensinamento: o teórico (simbólico) e o prático (real), ou seja, o ministrado na escola e o praticado no templo, mantendo-se de permeio a vivência harmoniosa no teatro da Vida.

Ensina a Sabedoria dos Mestres que todos os que aspiram à Iniciação devem estar preparados para enfrentar as consequências de tão importante passo. 
Ao início haverá sempre uma coroa de espinhos, que é o acúmulo ancestral das forças da sua natureza inferior, a soma de vidas mal vividas e amargas experiências passadas. 
Essas forças antigas resistirão tenazmente às novas – o que leva muitos, a maioria, infelizmente, a desistir pelo Caminho… não raro muitíssimos ainda antes de efectivamente terem entrado no Caminho, ao contrário do que acaso possam julgar – trazendo muita dor e sofrimento d´alma ao aspirante, mas se ele persistir as vencerá ou transmutará, e então os espinhos se transformarão em raios de Luz tornando a coroa em coroa de Luz, a mesma que orna a cabeça de todos os Iniciados Reais em todos os tempos e lugares.


O Caminho Iniciático é de natureza muito subtil, escorreita, logo, o discípulo deve estar sempre vigilante de si mesmo para não se transviar pelo Caminho… Se praticarmos o bem apenas para não gerar carma negativo, estaremos a ser egoístas e com isso criando um carma péssimo para nós, o do Egoismo, pelo que devemos fazer o bem pelo bem, nunca esperando nada em troca, pois em contrário não será a prática do bem mas tão-só o subtil e artificioso exercício de comércio psicofisico. 
Muitas vezes acumulamos carma negativo não por fazermos o mal mas pelo bem que deixámos de fazer. 


O verdadeiro Discípulo não deve desejar nem mesmo o Reino dos Céus, pois tal fomenta o crescimento do Corpo dos Desejos, o Apego emocional, sendo que o verdadeiro Discípulo deve estar desprendido de qualquer espécie de Apego para que realmente conquiste a Libertação da Roda das Necessidades de Vidas e Mortes.

No processo iniciático é comum surgir o desenvolvimento de faculdades psicomentais a que o vulgo profano chama de “poderes psíquicos supranormais”. 
No entanto, o Iniciado só faz uso dessas faculdades para cumprimento de uma Missão de ordem superior e universal, jamais para exteriorizar vaidosamente esses seus “poderes surgidos de experiências místicas raras”, em que se acha acima de tudo e de todos, para logo redundar em uma nova e maior queda, verdadeira derrocada ou derrota iniciática, por isso reserva o uso das tuas faculdades psicomentais, pois o perigo de Orgulho, Vaidade e Deslumbramento é bem real.


O Conhecimento é de imensa valia para quem busca a Verdade, mas não é o bastante, pois a falta de autodominio pode levar a quedas, sofrimento e dores, podendo-se ser arrastado pelas tentações que a grande e poderosa MAYA ( ilusões) do mundo oferece sempre… A negligência pode representar a morte espiritual por falta de vigilância dos sentidos.

Todo o cuidado é pouco, pois a causa da libertação ou da escravidão do ser humano está na Energia Kundalini, quanto ao seu despertar como “subida” ou “descida”… Daí os Sábios afirmarem taxativamente que a Kundalini liberta o Sábio mas escraviza o Incauto.

Um verdadeiro Iniciado jamais tenta impor-se aos demais, pois não deve impor o seu pressuposto “tesouro espiritual” a quem pressupostamente não esteja preparado, mas também não deve negar a Luz a quem a procura com sinceridade e inteligência, logo, deve sempre propor e jamais impor. 
Na visão do verdadeiro Iniciado, o bem é tudo o que está em harmonia com as leis universais, e o mal é a perversão e fuga a essas leis.
Os verdadeiros tesouros espirituais são como as pérolas que não se devem atirar aos porcos referidos na tradição bíblica. 
As coisas da Sabedoria Divina somente devem ser ventiladas na hora e na presença de quem está realmente preparado e desinteressadamente busca a Luz. 



O Iniciado deve observar-se e observar. Daí o aforismo iniciático “Conhece-te a ti mesmo e conhecerás os Deuses”.

Todos os falsos “EUS”, pensamentos e sentimentos negativos acumulados ao longo de várias eras ou vidas, acabam criando um poderoso Ser elemental, que qualquer um que queira seguir o Trilho da Iniciação terá um dia que defrontar e vencer… para não morrer. 
Falamos do Guardiaõ do Umbral, a Egrégora maléfica criada por nós mesmos. 
Mas também as acções positivas, os bons pensamentos e belos sentimentos acumulados ao longo das vidas sucessivas, criam a Egrégora benéfica, normalmente associada ao Anjo da Guarda, que vai nos protegendo ao longo do Caminho da Vida e da Iniciação, cabendo a nós dar-lhe atenção ou não, no fundo implicando ouvirmos ou manter-nos surdos à Voz, da Intuição ou Inteligencia Espiritual como sendo o nosso próprio Cristo interno.

O processo iniciático implica fazer com que deixemos de ser comnadados e dirigidos pelos diversos e ilusórios “EUS”, para sermos uma unidade de consciência e tornarmo-nos realmente um Ser.

O discípulo deve fazer todos os esforços no sentido de só usar o precioso dom da Palavra no momento certo, sem excessos e moderadamente, evitando as conversas triviais e nunca usar a sempre supérflua maledicência, que infelizmente é algo muito comum e que tantos danos causa ao próximo como assassínio moral.

A única maneira de encontrar a Paz interior consiste em evitar as paixões e purificar a nossa vida de todos os vicios e dependências físicas e psicomentais, viver o Momento Presente, não no Passado, nem no Futuro, mas no Eterno aqui e agora, de forma intensa e profunda, pois só assim estaremos despertos.

Contudo, se ao olharmos para dentro de nós próprios depararmos com uma série de pensamentos e emoções negativos, tais como as trevas do pessimismo, as fraquezas das paixões, as dúvidas e suspeitas, etc., não devemos desanimar, pois ainda mais profundo e presente que essas condições superficiais da personalidade perecível está o nosso imorredouro Deus Interior, que nos acompanha através de reencarnações sem conta e jamais nos abandonou, tão-só esperando o nosso Encontro com Ele no devido momento certo.


O discípulo não deverá ser em tempo algum e em espécie alguma um pessimista que se auto-persegue, um derrotista derrotado antes de começar qualquer batalha, porque isso é uma desconsideração para com a sua consciência Divina, para com a sua real condição de Ser Divino.

A falta de Esperança e Perpectivas fecha sempre o caminho em direcção ao Espirito, o qual deve ser sempre demandado pelo discípulo, este que vê, nos vários e quiçá angustiosos acontecimentos que em catadupa varrem a face da Terra, os efeitos cármicos à luz das causas do mesmo Espirito, isto se realmente fôr discípulo e quer prosseguir no Caminho da Verdade, Justiça e Perfeição.

Cultivar a Humildade é imprescindível assim como despir-se de todo o Orgulho, o discípulo assim consciente não teme a Vida nem a Morte, pois passou a viver na Eternidade, não teme o Passado nem o Futuro, pois vive o Eterno Presente. Compreende que o Supremo Refúgio reside no âmago de cada homem.

A Insegurança, um dos maiores e dramáticos traumas da Humanidade, leva ao apego às aparências envaidecidas dos factores materiais, mas este é um grande erro, pois a Verdadeira Segurança reside só nos Valores Morais, no Caracter Superior que é apanágio das almas bem formadas, temperadas com sangue, suor e lágrimas no Fogo do Espirito Sde Deus.

O Medo e a Insegurança nascem tão-só do Desconhecimento das leis da Natureza. 


A Liberdade Iniciática só se atinge quando o coração está purificado das paixões e a mente liberta dos egoísmos, isto é, conscientemente desapegado de todas as coisas acidentais do mundo.

Para isso é necessário passar pela Morte Iniciática, ou seja, a Personalidade passar pelo processo de Morte Permanente ou de transformação contínua pelo fenecimento dos falsos “EUS”, que nos têm arrastado cativos pelos limites estreitos da matéria num constante sofrimento físico e moral, levando-nos a sofregamente apegar a a tudo e a nós mesmos, e com essa morte ou transformação natural, sem imposições de espécie alguma e escolhendo sempre a “linha de menor resistência”, da nossa natureza inferior, finalmente poderemos ressuscitar num outro nivel de consciencia, quebrando de vez a inércia que nos paralisa e mata realmente.

A chamada Morte Iniciática não tem hora nem lugar porque é Permanente, enquanto a morte física tem hora e lugar.

Toda a vez que matamos em nós um falso “EU”, ressuscitamos como um Homem Novo.

O Mistério da Crucificação está relacionado a esse fenómeno, pois crucifica-se a Personalidade Transitória para que a Individualidade Imperecivel ressuscite.

No homem comum é o inverso, sacrifica-se a Trindade Divina no Quaternário da Matéria.

A Grande Obra é a Obra da construção do Homem Novo, sendo preciso libertar a Vontade prisioneira dos desejos dos falsos “EUS”. 
No fundo, é aquilo que o Cavaleiro faz ao matar o Dragão, como o faz São Jorge na mais sublime das alegorias, isto é, matamos os nossos “EUS” inferiores e libertamos a Princesa, a nossa Alma imortal.


O Caminho está repleto de obstáculos em forma de tentações, que se manifestam sempre pelo lado aparentemente o “mais forte” do tentado, o que requer Atenção permanente, pois diante do Peregrino da Vida igualmente apresentam-se muitos falsos instructores com falsas verdades que acabam conduzindo-o… a Nada. 
O nosso Mestre Verdadeiro é o EU Superior, e Ele nunca nos engana de onde está, na Santa Morada do nosso CORAÇÃO, mirando com seu Olho que Tudo Vê.

A Iniciação nada mais é do que o retorno à Origem, retirando os véus ou vestes que encobrem a Luz de Deus residindo no interior de todos nós.

O homem Sábio não é aquele que faz tudo bem feito, mas sim aquele que tendo uma má atitude sabe corrigir o seu Erro e humildemente pedir Desculpa.


O homem Sábio não é aquele que só tem pensamentos puros, mas sim aquele que ao ter um pensamento impuro consegue de imediato envolvê-lo numa onda de Amor, neutralizando-o.
O homem Sábio não é aquele que só tem certezas, mas sim o que sabe forjar na dúvida a força do seu carácter, a constância dos seus Ideais. 


A Vida é uma Bênção, uma Graça, e devemos desfrutá-la em toda a sua Plenitude; sem ela ninguém evolui e graças a ela é que se pode galgar os graus mais elevados da Consciência. 
Desprezar a Vida, portanto, é um acto insano indigno do homem; todos os Grandes Seres sempre glorificaram a Vida como Dádiva Divina.

“A suprema Realização é quando um homem atinge a Hierarquia de um Ser com a Consciência Cósmica, e continua a actuar no mundo para aliviar o Carma Colectivo”.

Não adianta arrependimento depois que o acto foi praticado, porque o karma já foi criado.

Nem sempre é pecado o facto de errar… Resta saber se o erro é consciente ou inconsciente, pois a Humanidade caminha ou evolui caindo e levantando, errando e procurando desmanchar o erro, até alcançar o fim da sua evolução.

A chave de cada degrau é o próprio aspirante. 
Não é o temor a Deus que representa o começo da Sabedoria, mas o conhecimento do Eu, que é a própria Sabedoria.


Quem souber colocar a sua inteligência ao lado do coração, alcançará na Terra as maiores venturas do Céu.

O verdadeiro discípulo é aquele que não procura ver os defeitos alheios, mas os seus próprios.

É dever do discípulo, por amor e respeito ao Mestre, possuir a maior “vigilância dos sentidos”, para não fazer sofrer Aquele que lhe serve de Guia na espinhosa Vereda da Iniciação.

sábado, 18 de fevereiro de 2017

A Arte do Bonsai


                   QUEM CULTIVA QUEM ?



É o homem que cultiva o Bonsai 
ou o Bonsai que cultiva o homem?




 


Para os amantes das árvores miniaturas, os Bonsai, mas quem segue um Caminho espiritual imediatamente percebe a mensagem codificada.

 

sábado, 28 de janeiro de 2017

Os 3 olhos e os 3 patamares do Caminho Espiritual


Os 3 olhos e os 3 patamares do        
        Caminho Espiritual
           

A última barreira do ego – o sentido nu da própria finitude do ego, é como uma parede de tijolo que não conseguimos transpor por nós mesmos.
Só em seu tempo e por dom gratuito, aparece
uma abertura no muro do “eu”.


Nessa abertura da autotranscendência deixamos para trás o “eu” e encontramos o nosso verdadeiro SER.

Esta última barreira causa em nós uma profunda tristeza devido à nossa percepção ilusória de que estamos separados de Deus.
S. João da Cruz chamava a isto “a noite escura da alma”


Mas, por meio da graça, compreendemos que esta é uma falsa percepção – estamos sempre integralmente ligados com a Realidade Divina – e então, como o hino Amazing Grace (Graça Espantosa) canta: “eu estava perdido, mas agora sou encontrado, estava cego, mas agora vejo”.
Então compreendemos que a parede é obra nossa e que ela desaparece, enchendo-nos com a alegria e a paz da união.


Com desapego face ao nosso condicionamento e desapego face à nossa necessidade de usar o mundo e as outras pessoas como nossa escora emocional, somos finalmente capazes de «deixar o “eu” para trás» e estender a mão aos outros e a Deus.

Uma forma diferente de conhecer, uma compreensão intuitiva mais clara emerge: agora, percepcionamos, a um nível intuitivo com o “Olho do Coração”, quando vemos “a realidade tal como ela é, infinita”, como o expressa Blake. 
A nossa forma comum de lidar com o mundo, antes deste desenvolvimento, era a de ver a realidade com o “Olho da Carne”.




A ênfase era posta na nossa experiência no mundo material, o mundo dos sentidos: éramos cientistas recolhendo dados.
Depois, procurávamos padrões e tentávamos encontrar sentido no que tínhamos percebido, usando o “Olho da Mente”, o nível racional.


O famoso cientista do nosso tempo, Stephen Hawking, opera ao nível do “Olho da Carne” e do “Olho da Mente”. Enquanto cientista racional, ele pensa que tudo pode ser compreendido com a mente racional, até mesmo Deus. 

“No entanto, se descobrimos mesmo uma teoria completa, com o tempo, ela deverá ser compreensível, em princípios gerais, por toda a gente, não apenas por alguns cientistas. Então, todos nós, filósofos, cientistas e simples pessoas normais, seremos capazes de tomar parte na discussão da questão de porque é que nós e o universo existimos. Se achássemos a resposta para isso, seria o supremo triunfo da razão humana: então conheceríamos a mente de Deus.”

Porém, talvez Stephen Hawking possa agora, depois de escrever isto, concordar com Albert Einstein, que sublinhava a importância do “Olho do Coração”: “o factor realmente valioso é a intuição” e “a experiência religiosa cósmica é a mais forte e mais nobre força condutora por trás da investigação científica”.

Santo Agostinho enfatiza a importância da visão intuitiva: “O propósito total desta vida é restaurar a saúde do olho do coração através do qual Deus pode ser visto.” 

Nesse estágio do nosso crescimento, os três níveis de conhecimento são integrados. Isto pode acontecer de súbito ou com o passar do tempo, no silêncio e na quietude. 
Então alcançamos “o conhecimento puramente espiritual. […] 
Aí escutamos sem qualquer som e vemos sem matéria.” (Mestre Eckhart)