-- De onde vens e para onde vais ?
-- Venho de Deus na escuridão e para Deus vou na Luz.

quinta-feira, 28 de novembro de 2019

O que é a Dor ?




O que é a Dor ?

Um homem a quem cortaram a mão, a que ponto lhe faz falta a mão?
Um homem que passou sede, a que ponto lhe faz falta a agua ?

O homem tem de ter necessidade nessas alturas de Deus para que tudo lhe seja revelado.

A Dor é isso, precisares de algo que ignoras, algo que desejas sem saber bem o quê , estranha tarefa, estranha necessidade.
Tudo o que possuis sem ser isso, te é sem valor, são meras ilusões, seja este desejo ou aquele.  

Um menino tinha se perdido da mãe no mercado e chorava continuamente.
Como te chamas ? Como se chama a tua mãe? Onde moras, em que rua ?
Eu estou perdido no mercado, eu não sei o meu nome nem o da minha mãe, nem onde moro, só sei o nome Mãe, que me faz falta, o resto nada sei, é tudo.

Tu buscas incessantemente uma coisa que não se encontra.
Mas se tu nada perdeste, o que buscas tu com tanta ansiedade?
Mistério e coisa estranha!

Alguém a quem disseram isto, respondeu  : Mais estranho ainda, é,  não tendo encontrado o que procuro, ter ficado insatisfeito mesmo assim comigo mesmo.

Tu que és nada, como queres chegar ao fim deste labirinto ?

Um mestre disse:

O remédio para a Dor é falar estando calado
Medita nisto, pois a dualidade é um mar infinito. 
O remédio é ser digno de receber a Graça de Deus, que levanta o véu dos nossos olhos e nos permite ‘ver’ a saida do labirinto, que até estava á nossa frente....


E o mestre continuou : 
O remédio para a Dor vem de onde veio a própria Dor, de Deus. 
Para Deus tudo é fácil, porque haveria de ser dificil de viver com Ele pela eternidade? 
Tudo é fácil pela Sua Misericordia e pelo Seu Amor por nós.
Se até Satanás caiu no egoismo pela confiança inabalável que tinha na Misericórdia divina !

A Obra de Deus não tem explicações, porquê ou como, tal como Satanás pode ser salvo, assim qualquer homem o pode ser. 
Mistério divino.

Senhor, eu nada sei, só Tu sabes o que Tu queres e o que eu preciso !!!

Tumulo de Attar 
                              
Um santo homem que pedia a Misericordia de Deus , ouviu : 
Todos me pedem isso, mas se todos fossem isentos de pecado, a quem dispensaria a minha Misericordia? A minha Misericordia é imensa, mas os homens têm de ter receio, precisam de sentir a falta de algo, de ter Dor nessa falta e aí serão dignos da minha Misericordia.

O santo homem disse : 
Eu só preciso de ter a nostalgia de Ti, mais nada preciso. E nessa nostalgia que é Dor, poder ser digno da Tua Misericordia.

Ningúem está seguro no momento da morte, mesmo os ‘puros’ devem morrer com ‘medo’ desse instante e aceitar o que lhes for dado, sem temor e Dor não existe Misericordia divina.

  
Livro Divino –Attar

sexta-feira, 21 de junho de 2019

As Sete Etapas de Jacob Boehme

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«Esse Pai, que Boehme chama também de “Mãe”, é uma mulher a parir.

A primeira “forma”, que simboliza a “adstringência”, representa uma formidável contração.

A segunda aparece-nos como o esforço da criança para se libertar do ventre materno e a terceira parece materializar as dores do parto.

O Pai figura aqui o desejo cego, símbolo primordial da natureza.

Esse desejo tenebroso
ficaria para sempre insatisfeito se a luz não surgisse e não o transformasse em doçura, em desejo de amor.

A peripécia do ciclo setenário está na transmutação do desejo.

Em si próprio, o desejo glutão da primeira natureza, o de Saturno que devora os seus filhos, é o tormento do inferno.

Sem o Filho, o Pai seria o inferno
.

Boehme não hesita em colocar o inferno nos quatro primeiros graus da natureza eterna (...).

No quinto grau, com o nascimento do Filho, simbolizado pelo “coração de Deus”, que é o local (a base) da verdadeira vida, a voracidade saturnina transforma-se em desejo de amor.

Esta quinta “forma”, que representa o jorrar da luz no fogo, corresponde a Vénus.

Como na obra alquímica, esta transmutação consiste numa morte e num renascimento.

Uma morte que não é uma morte, diz Boehme. É a morte do primeiro desejo, que cai quando jorra a luz no brilho que rasga a noite.

No ciclo do homem, será a morte da vontade própria. O homem deve morrer a si próprio. Mas é um morrer que não é uma morte, porque é o prelúdio de um novo nascimento. (...)

No sexto grau, Boehme celebra a vinda do Espírito.

A Divindade tenebrosa do Pai, que tinha sucedido a uma claridade sem substância, “sem brilho”, torna-se numa Divindade radiante no Filho, e Deus conhece-se no Espírito Santo.

O sétimo grau é o do Espírito Santo revestido pela Sabedoria, corpo de Deus.

É nesse corpo radioso que estão encerradas as maravilhas da criação.

O Espírito Santo faz com que elas aí resplandeçam uma a uma pela sua operação, a que Boehme chama a abertura dos selos.»

Pierre Deghaye, “Psychologia Sacra”, in Jacob Bohme, Cahiers de l’Hermétisme, p. 211-212.

terça-feira, 4 de junho de 2019

Crer é ter Fé ???



As nossas crenças não nos dão a Fé.

Elas fazem, apenas, de nós membros de uma seita, de uma conspiração fundamentalista.

Bloqueiam a mente como órgão de percepção e de verdade e leva-nos a ocupar um mundo privado, egocentrico.

As pessoas religiosas temem, muitas vezes, o poder da Fé precisamente porque ela se inclina para este reino indiferenciado do Espírito, onde as diferenças de religião, sociais e até de género, que as nossas crenças sacralizadas conseguem controlar minuciosamente, são totalmente desmanteladas.

A Fé é a auto-estrada para o Espírito.

Cada acto de Fé que realizamos é um destapar do labirinto do Espírito.

A crença, construída com os estilhaços da Fé, conduz-nos a um labirinto de espelhos, uma série interminável de regressões, o labirinto egoísta.

Este tipo de labirintos das crenças conduz a becos sem saída e, quanto mais nos perdemos, maior é o nosso pânico.

Enquanto que os labirintos do Espírito só nos pedem que sigamos fielmente as suas voltas e esquinas estranhas e, basicamente, simétricas, para nos levar de volta a casa, ao centro.
Confundir Fé com crença e tentar separá-las faz-nos cair na armadilha da Lei – no âmbito das coisas que podemos definir, regulamentos que podemos fazer cumprir, fórmulas de crença específicas que nos fornecem justificações para excluir os outros.

Mais do que qualquer religião, o Cristianismo cedeu às tentações do poder que é criado pela uniformidade de crenças.

Reverenciar a ortodoxia de crenças – cultivando a exacta correcção nas palavras, nos rituais, nos aspectos exteriores e nas fórmulas – trai o Deus vivo por um outro, falso e de construção exclusivamente nossa.

A crença pode ser heróica. Podemos recusar negar as nossas crenças e ficar felizes por sermos queimados na fogueira ou passar por enxovalhos e vergonhas por causa delas. Muitos crentes são educados com histórias destes heróicos mártires, que abdicaram das suas vidas para não negarem as suas crenças. Não devemos menosprezar a heroicidade da crença enfrentando a opressão e a perseguição. É preciso força e integridade para resistir aos poderes violentos que têm o propósito de nos fazer negar os nossos princípios e crenças.

Mas o reino espiritual nada tem a ver com heroísmo.

A Fé é mais do que a mais heróica das crenças. É mais do que uma apaixonada convicção , é mais do que um conceito e mais do que um sinal de pertença leal a um determinado grupo.

É o relacionamento com aquilo em que acreditamos; com aquilo em que acreditamos porque o experienciamos e com o que experienciamos porque fomos simplesmente feitos para isso. E por isso.

A Fé lança-nos para os mistérios do Ser Interior e revela-os infinitamente.

domingo, 19 de maio de 2019

O Suicidio Metafisico

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                       O  Suicídio Metafisico

Num tempo de facilidades e querer tudo rápido sem dores nem sofrimentos,  será que a Verdadeira Espiritualidade se encaixa nestes moldes  'modernos' ?
Texto abaixo reflecte esse Abismo entre o  ‘querer ser’  Espiritual e a meta de  ‘ O ser verdadeiramente’ ,  não admira que cada vez mais no estado actual da Humanidade ‘muitos os chamados e poucos os escolhidos’  .
A compreensão interior deste texto simbólico é,  óbviamente,  proporcional à evolução de cada um.
  
O  Suicidio Metafisico
Numa fase adiantada do Caminho,  existe um Suicidio sem o qual se fica parado e não se avança.
Suicidio não é o significado dado neste mundo, mas a mais completa negação do eu.
Quem Caminha e atinge esta fase fica com o pensamento e a ação paralisados até ao ponto em que o Caminhante  se torna totalmente incapacitado e não pode mais se satisfazer nem mesmo na presença de Deus-Luz- Presença.
Nessa fase, o desejo torna-se infinito e muitas vezes se transforma em seu contrário, envolvendo o desespero e o ódio, pois nada o consegue satisfazer.
O mito de Tristão e Isolda, enfatiza o anseio místico dos amantes pelo infinito e também o caráter anti-social e a busca da morte implícitos em seu amor.
O amante de Deus também deve enfrentar esse amor sem esperança de paz e que impele para a morte nos mais altos estágios da vida mística.
O objetivo final era destruir qualquer senso de ipseidade, qualquer eu exceto o divino.
Mestres de várias Tradições nesta fase ao invés de “abraçarem a ausência do Amado – Deus – Luz - Fonte como uma união mais perfeita, escolhem estar dela ( dessa união ) mesma ausentes.
Ela desocupa o espaço psicológico que ocupava de uma vez e para sempre (“suicídio metafísico”) , fazendo nele um Espaço livre para o Incriado ocupar.
Nesta fase  a Alma se dá conta da necessidade de extinguir toda a sua vontade e também o seu desejo de amor ( para com Deus-Luz- Fonte)  para atingir o estado de união que aspira.
Para se tornar verdadeiramente livre, a Alma dispensa as obras, as virtudes e as mortificações, mas precisa de ultrapassar uma série de “ obstáculos’  que não são fáceis e até cruéis, para avaliar o quão completa é a sua submissão ao seu Amado,  obstáculos que visam uma mortificação do desejo e que a levam a abandonar o seu amor humano.
É apenas ao consentir no impensável e após a rendição incondicional às provas impostas pelo Amado que ela pode receber dele uma recompensa incondicional.
A Alma nestas provas é de tal maneira desafiada pelo Amor que termina por ser levada à aniquilação.
É dessa maneira que a vontade da Alma chega ao fim, pelo martírio tanto de seu desejo quanto de seu amor e ela cai no Nada.
O Amor exige que a Alma aniquile o próprio amor.
Tudo o que é próprio da Alma, tudo o que é criatural, deve ser destruído para a obtenção do estado de liberdade para o qual o Amor a chama.
Alguns nesta fase chamam ao seu Amado de Longe Perto, que é em si uma contradição, indicando uma presença que é também uma ausência. Ele permanece com um desejo de presença que nunca é totalmente satisfeito, um desejo indefinidamente adiado, que se tornaria insaciável se não fosse pela apófase desse mesmo  desejo.
Muitos permanecem  aprisionados neste estágio de inebriação apaixonada.
Essas são as “almas perdidas”, que ao invés de aceitarem a ausência como uma parte intrínseca da união com Deus, tentam trazer de volta a experiência desse encontro por meio do sofrimento, do ascetismo, das obras e da contemplação.
Para as Almas que se libertam desta ‘’inebriação apaixonada’’, os termos que permitem uma relação psicológica com Deus são queimados, afogados e aniquilados precisamente por esse Amor que se torna nesse momento o Amor do único Amante que permanece: Deus-Luz-Fonte.
Explicando à Razão qual a vontade que trabalha na alma aniquilada, o Amor  diz:
Não é a sua vontade que deseja, mas é a vontade de Deus que deseja nela.
Porque essa alma não permanece no amor que impulsiona sua vontade para algum desejo. 
É o Amor que permanece nela, que a privou de sua vontade e, portanto, o Amor realiza sua vontade com ela, e o Amor trabalha nela sem ela, por isso nenhuma ansiedade permanece nela.
É exigido nesta fase que a Alma se aniquile por meio da destruição de sua vontade.
O Caminhante que começou o Caminho a  buscar por Deus-Luz-Fonte  nesta vida e não o encontrava, torna-se numa fase mais adiantada ( se a ela chega …)  numa Alma aniquilada e como tal,  ela não mais existe.
A Alma aniquilada e o ‘’Fino Amor’’  não são mais eus separados, mas permanecem indistintos em tranqüilidade.  
Em contraste com o estado precedente de amor violento e de luta com sua vontade, a transformação da Alma em Amor nesse estágio é acompanhada de Paz, finda a luta dual chegou ao Uno.
Para ai chegar não há necessidade de tormentos corporais e demonstrações públicas de humilhação, comuns nas vidas dos santos e de muitos Misticos.
Não é preciso ir pelos caminhos do sofrimento do corpo e da alma , basta a renúncia de tudo que é criatural.
Só assim é possível para a Alma superar o sofrimento causado pela aparente ausência de Deus – por meio da aniquilação que torna a presença divina aparente.
Quando a Alma reencontra seu fundamento incriado no divino, o sofrimento e a alienação são suplantados, e ela é transfigurada no Amor.
É somente dessa forma que a Alma recebe asas, como os serafins–ela pode deixar o “ país estrangeiro” e retornar à corte de seu amado Rei, pois a aniquilação é uma “Terra” para onde as almas tristes e caídas podem retornar.
Nessa “Terra”, a alma não tem mais nenhuma “relação” com Deus, nem mesmo de Amor.
Esse é o resultado final de todo o seu Amor.

terça-feira, 8 de janeiro de 2019

Conceitos base sobre Alquimia




Conceitos base sobre Alquimia

A propósito do “oleiro demiurgo” e do alquimista, “a função soteriológica dos mitos nasce sempre de uma prática”.

Mircea Eliade, na sua obra capital sobre a Alquimia – “Ferreiros e Alquimistas” – fundamenta exaustivamente esta tese, trazendo-nos uma visão clara daquilo que é a experiência alquímica: a sacralidade da matéria e das suas transformações, bem como a experiência que delas tem o operador.

A natureza profunda da Arte de Hermes é a vibração, em uníssono, da matéria, do operador e do Cosmos; esta é uma visão tradicional – melhor, primordial – que apenas parecerá estranha à nossa mentalidade analítica e separadora, oposta à das correspondências, das analogias e das sínteses.

Analogamente, quer o discurso alquímico se situe ao nível simbólico, quer a nível operativo ou especulativo, permanecerá sempre como o reflexo da unidade intrínseca da alquimia.


Portanto, a alquimia é, desde logo, a experiência da unidade.

Mas essa experiência é feita, dramaticamente, através da manifestação dual da realidade no nosso “mundo sublunar”.

O caminho alquímico é aquele que vai do “1” ao “2” e do “2” ao “3”; não se trata, pois, de um dualismo (maniqueísta, cartesiano ou estruturalista), mas de uma “dualidade” que se supera a si própria por meio de um mediador: o “3”.

A mediação alquímica – o “sal” que permite a conjunção das duas naturezas contrárias, o “enxofre” e o “mercúrio” – é dupla: horizontal, unindo o “masculino” e o “feminino” a fim de obter o andrógino, e vertical, unindo “o que está em cima” (o Logos, o espírito Universal) com “o que está embaixo”, para espiritualizar a “matéria” e, concomitantemente, corporificar o “espírito”.

Forma-se assim, em consequência desta dupla “hierogamia”, uma cruz (o “4”), no centro da qual se encontra o coração – o “5” do microcosmos ou a “quinta essência” – que constitui o retorno à unidade (5 + 1 = 6, o “6” do macrocosmos).


O processo iniciático alquímico desenrola-se também em termos daquilo que Jung denominou da “individuação” – processo de crescimento e harmonização psíquicos – mas é Henry Corbin, no decorrer da sua extensa obra sobre o esoterismo islâmico, que desenvolve um conceito que tem muitíssimo a ver com a iniciação alquímica: o “imaginal” (o qual transcende a mera imaginação psíquica).


O correlativo “mundus imaginalis” é o mundo intermediário entre o sensível (“physys”) e o inteligível (“noos”, “pneuma”), entre o “imaginário” e o “simbólico”, mundo intermediário das imagens arquetípicas – da “imaginação creadora” – mundo da Alma (individual ou do Mundo, “Anima Mundi”), ao mesmo tempo “Terra celeste” e “Corpo de Ressurreição”.

 Mas, como se desenvolverá o processo alquímico, de modo a permitir a dupla operação de “transformar em idéias as coisas exteriores e as coisas exteriores em idéias”?


Desde logo, como em todo o processo iniciático, é preciso passar pela fase da “morte”, da “abertura” – o “caos alquímico”, em que se dá a  “separatio” dos elementos, o “solve”, ou “nigredo” – à qual se sucede a, agora possível, “informação” (“consciência-conhecimento”) da “matéria” pelo Logos – a “purificação”, a “sublimação”, o “albedo” – e que permitirá uma nova “estruturação” (“consciência-organização”) – o “rubedo”, “conjuntio”, ou “coagula”, a qual conduzirá à “Pedra Filosofal”.


Curiosamente, segundo a ciência atual – por intermédio dos trabalhos de um dos seus maiores expoentes, Ilia Prigoggine – a criação físico-química de estruturas dá-se através das seguintes etapas, cuja analogia com as do processo alquímico é notável:
  • O sistema deve estar “aberto” (o “solve”);
  • Deve verificar-se uma “flutuação” de algum parâmetro (o que corresponde à etapa da “informação” pelo Logos ou pelo Espírito Universal);
  • É necessário que a flutuação se amplifique para dar origem à criação (“poiesis”) de uma nova forma de organização ou de estrutura (o “coagula”). 

Esta analogia não deixa de surpreender pela constatação do acordo entre a Tradição e os dados da ciência moderna.

O objetivo da alquimia é pois ser uma “química sagrada” que pretende transformar, transmutar, o operador, a matéria e o cosmos – é (re)despertar a Vida na matéria e, ao mesmo tempo, (re)criar a Vida dentro do operador…


Os alquimistas cristãos não hesitavam aliás em considerar a ressurreição prometida aos eleitos como uma verdadeira transmutação de todo ser humano (corpo e alma).

É deste modo que tentaram interpretar este famoso versículo do Apocalipse:

…Ao vencedor, disse o Espírito Santo, eu darei o maná escondido e uma pedra branca, e sobre esse seixo um novo, que não é conhecido por ninguém, excepto daquele que o recebe.
Livro de Apocalipse
Incontestavelmente, a alquimia tradicional apresenta-se sob o seu aspecto de “oratório” – como uma ascese destinada a buscar a iluminação libertadora.
A iluminação atingida pelo adepto acha-se descrita em uma série de textos, ao mesmo tempo belos e precisos como este :

A grandeza está em Deus, mas esta grandeza é infinita (…) A duração está em Deus; mas esta duração é a eternidade…
Raymond Lulle