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domingo, 10 de novembro de 2013

A alquimia interna taoista, o corpo como forno alquimico

     
A alquimia interna taoista
O corpo como forno alquimico

No Taoismo existem métodos de evolução espiritual baseados no trabalho exterior, nas manipulações com a matéria, em especial os metais e o mercúrio, é a alquimia exterior.

Vamos falar apenas na vertente interior, baseada no trabalho sobre o corpo, é a alquimia interior, NEIDAN, cuja meta é unir os contrários, tal como 2 pessoas se unem em casal, tal como o par andrógino da alquimica ocidental.

Nesta vertente o adepto usa de manipulações mentais, de uma forte intenção e força de visualização do seu espirito, para induzir mudanças da sua pessoa e da sua relação com o mundo. 

As visualizações de divindades associadas a certas partes do corpo e os esforços feitos pelo adepto para as conservar em si, são parte essencial do caminho espiritual em vida e de uma longa vida ‘imortal’.     

As transformações do corpo e do espirito vão lado a lado e são indissociáveis. 

O corpo torna-se um pequeno universo e os processos de transformação efectuam-se em circuito fechado no corpo que se torna um forno de transformação energética interior.

Daí a necessidade de fechar todas as saidas do corpo, as aberturas naturais, sejam orificios inferiores sejam poros da pele, sejam orificios da cara dos orgãos dos sentidos.

O essencial do trabalho alquimico é na cabeça e tronco, não nos membros inferiores.

O ciclo essencial fechado destas transformações psicofisiológicas  é a circulação de energias desde os orgãos genitais até ao topo da cabeça como calor interno e depois uma descida como secreções aquosas da cabeça para o abdomen e depois uma mistura entre elas.

O mestre de tudo isto é o coração e do que dele emana, a intenção ou pensamento criativo. 
Só a paz do coração garante o sucesso da transformação. 
Só assim o adepto se torna progressivamente mestre do seu corpo e do seu espirito, mestre do mundo, para numa fase posterior dissolver o seu eu na vacuidade e deixar ‘ser trabalhado’ interiormente pelo mecanismo maravilhoso das criações e transformações (em termos cristãos, deixar Deus agir nele e apenas fazer a vontade de Deus).

A intenção e a analogia  são, pois, por isso, muito usadas nos textos taoistas alquimicos, à semelhança dos alquimistas ocidentais que usam as parabolas, metaforas e fábulas e mitos para relatar os ‘segredos‘ do processo de transformação.    

Os 3 ingredientes de base são a essência, o sopro e a alma, que mais abaixo vamos ver representados por um menino de pé, um menino sentado e um taoista de pé e cabeça rapada. 

A meta é afinar a essência para se transformar em sopro, afinar o sopro para se transformar em alma e afinar a alma para regressar ao Um, e o texto confirma dizendo ‘ o corpo estando imóvel, a essência se reforça, o coração estando imóvel, o sopro se reforça, o pensamento estando imóvel, a alma torna-se ágil e eficiente’.


A VIA DA INVERSÃO

O metodo alquimico taoista é um método para inverter o rumo ‘normal’ das coisas. 

O curso normal leva á morte, o curso alquimico leva á imortalidade, a energia normal circula de cima para baixo com as respirações, o curso alquimico da energia é a subida dessa energia pela espinha dorsal despertando centros até ai inactivos, o curso normal do semen é para baixo, dando origem ao nascimento de um ser externo, o curso alquimico do semen é para cima dando nascimento a um ser interno, embrião de imortalidade.  

O normal é o fogo do coração subir e atiçar as emoções e paixões, o inverso é ele descer para ser acalmado pela agua apaziguadora dos rins.

O curso normal das torrentes de montanha é descerem de cima e inundarem os baixios, produzindo morte, o curso alquimico é utilizar os 3 carros-motores de energia hidraulicos que estão no Desenho 2 para fazer subir essa torrente energética do coxis para a cabeça, para a imortalidade. 

A subida começa no carro do carneiro, daí lenta e relaxada, depois com o carro do veado fica mais rápida, e finalmente é preciso muita força persistente para passar a ultima passagem para a cabeça, aí a força do bufalo.

A evolução normal vai do Um ao multiplo, a evolução alquimica vai do multiplo ao Um. 

É preciso juntar os sopros multiplos do ser, incluindo os das 5 visceras-5 elementos, dos 3 campos de cinábrio, do yang e yin , para regressar de novo á Unidade.

O local de inversão no corpo varia consoante as fontes, vai do umbigo, a entre os rins e pode nem ter local especial, ser um principio luminosos a partir do qual se efectua o regresso á origem.

Dois textos laterais exteriores exprimem isso mesmo e dizem ’no sentido normal é o estado ordinário’, ‘no estado invertido é a santidade’.

Um dos efeitos que se sente no corpo quando ocorre essa inversão de curso é sentirmos várias vezes ao dia uma especie de dragão que roda para cima e para baixo na zona do abdomen.

Em resumo, a Luz deve surgir do alto da cabeça e descer às regiões mais baixas do corpo, aos 9 impérios, onde destrói os 9 infernos e o adepto perde a percepção da existência  do seu corpo. 


Desenho 1 – Cabeça 

Neste desenho mostra-se a cabeça e as almas que aí residem mas se podem escapar se a pessoa não as ‘trabalha’.




Assim com o nº 1 temos o Palacio dos Perfeitos, representado por um circulo luminoso, onde reside a alma verdadeira ou Perfeita no centro da cabeça mas que pode sair pela parte superior.

Com o nº 2 temos os 3 principios da morte alojados no abdomen, coração e cabeça. Estes principios fazem os ‘relatórios’ para o céu do comportamento bom ou mau da pessoa.

Com o nº 3 temos as 7 almas vegetativas, associadas aos pulmões.

Com 4 letras temos os 4 animais de protecção ( tigre branco A , dragão verde B , passaro vermelho C e a tartaruga enlaçada por serpente que representa o Guerreiro obscuro D).
 
Com o nº 4 temos o carro do bufalo, com o nº 5 o Guerreiro obscuro e como o nº 6 as pérolas enfiadas.

Existem no corpo 3 carros (do carneiro, do veado e do bufalo) que simbolizam 3 tipos de energias que em 3 etapas do caminho ajudam a desbloquear e impulsionar o percurso.



Desenho 2 – A carta completa da cultura da Perfeição 


Este desenho tem funções de ensinamento de evolução espiritual e também funções mágicas, rituais, talismãnicas (o corpo do adepto é um talismã em si). 

O ensinamento base é juntar as forças interiores ás exteriores, unir o corpo celeste ao corpo divino. 
Revela a organização e o funcionamento do mundo do adepto que medita-pratica, mundo tripartido em corpo, universo exterior e mundo dos deuses. 

‘Os deuses do corpo comandam 18.000 deuses, quando o homem concentra seus pensamentos neles, os 18.000 deuses não acabam ou dispersam, neste caso, o Céu faz descer (Graça cristã pelo mérito do adepto??)  outros 18.000 deuses para completar o corpo (afinal tinhamos-viviamos com só metade do que somos na realidade) e em seguida os 36.000 deuses que resultaram, levantam o corpo inteiro e o levam para os 3 Céus, então o homem torna-se imortal e divino e a sua transformação está completa.’  

Este desenho mostra as partes do corpo, 3 circulos grandes nas costas que representam instruções de trabalho, desenhos de 6 animais que representam as divindades das 6 visceras, sendo dragão=figado, tartaruga e serpente=vesicula, veado com 2 cabeças= rins, passaro vermelho=coração, tigre branco=pulmão e fénix=baço.  

Desenhos das 30 fases da lua (simbolos do regime de fogo a usar em cada etapa), textos sobre os principais locais de transformação do corpo, os paraisos e os infernos corporais, várias técnicas usadas na alquimia interior e os rituais para alcançar a imortalidade.


Região por cima da cabeça 

Existe uma versão desta carta que tem um elemento adicional na parte superior, um circulo onde está um menino, simbolo do sopro não inflamado do Um, e 3 personagens por cima que representam os 3 Puros ( Superior, Supremo e Jade), a Trindade Taoista que reside nos planos superiores do sopro cósmico e proveniente do sopro do Um. 


A inscrição diz ‘ o cristal de ouro brilha e eleva-se para se unir ao Um supremo no Palacio da Origem caótica’. 

Na carta por cima da cabeça existe um circulo com um personagem de cabaça rapada, o Taoista Perfeito, com o nº1 está a palavra ‘alma’. 



Ao redor existem 9 circulos que representam os 9 Perfeitos, divindades que residem na cabeça.


Região da cabeça 

A cabeça é a parte celeste do corpo e a origem divina da pessoa. 

O circulo com nº12  que sai das sobrancelhas diz ‘luz divina’. 

Esta luz surge e se desenvolve quando o espirito do adepto em meditação está livre de todo o pensamento errado, quando está em paz e cristalino, quando se vive apenas o momento presente e o corpo é luz per si. 

Na cabeça existem inscrições que evocam o paraiso, com o nº1 temos a Joia divina, nº 2 a Joia celeste, nº3 o Um supremo, nº 4 a Corte celeste , nº5 o Tambor do cume do monte, o nº6 é a Mãe obscura, o nº 7 é o canal de controle.

As 3 espirais no topo da cabeça representam os 3 sopros-respirações primordiais, as 3 jóias, a jóia divina , a celeste e a mágica.

A mãe obscura está ligada ao Pai original como o casal original que faz nascer o embrião espiritual, o Pai rege as transformações do sopro não inflamado e do que é anterior ao soberano e a mãe rege as transformações da essência e da formação do embrião. 


Essência e sopro, o yin, yang da dualidade criativa.

O tambor do cume é o tambor celeste e designa a parte de tras do cerebro, e um exercicio famoso manda , ‘coloca as palmas das mãos nas orelhas e com o dedo do meio bate 24 vezes na nuca’  para entrares no céu. 

Reza a tradição taoista que as divindades que habitam a cabeça têm guardas nos mirantes das suas casas para só deixar entrar os hospedes sinceros que tocam devidamente as sinetas (os toques na nuca) da entrada.

As inscrições no nariz dizem respeito aos paraisos taoistas e seus palacios. 
As inscrições na bochecha esquerda dizem que o coração comanda os 7 reis ( os 7 orificios da cara dos 5 sentidos) e é assistido nessa tarefa pela lingua e pela garganta.
Debaixo da cara existem 12 aneis, o pagode em 12 andares da tradição taoista que faz a ligação da cabeça ao resto do corpo.


Região da coluna 

A coluna vertebral tem 4 linhas e 24 circulos ( as 24 vertebras-os 24 sopros de cada ano).

Em baixo, no meio e no topo da coluna, existem 3 grandes circulos, que representam os pontos onde a energia que sobe pela coluna encontra dificuldades e bloqueios. 

Esses circulos são os carros ( ou motores hidraulicos) do carneiro nº1 em baixo , do veado nº2  a meio e do bufalo nº 3 em cima que fazem movimentar e desbloquear essa energia.

O curso normal das torrentes de montanha é descerem de cima e inundarem os baixios, produzindo morte, o curso alquimico é utilizar os 3 carros-motores de energia hidraulicos para fazer subir essa torrente energética do coxis para a cabeça, para a imortalidade. 

A subida começa no carro do carneiro, daí lenta e relaxada, que corresponde à inversão do ciclo dos 5 elementos, com a mistura de agua e fogo, com a copulação do tigre e do dragão,  depois com o carro do veado fica mais rápida, e diz-se ‘o cristal de ouro detrás da cauda que começa a subir’, e finalmente o ultimo carro onde é preciso muita força persistente para passar a ultima passagem para a cabeça,daí a força do bufalo para a saida do corpo da alma yang.

À direita da coluna existe uma linha sinuosa, a Via Lactea nº4 , a espinal medula.     
   

Região dos rins e baixo ventre

Em redor dos rins, com o nº 5 lê-se ‘ fêmea-a porta da força vital’ e com o nº 6 lê-se ‘obscura-a porta dos rins’ , são de novo a dualidade yin-yang, que se une entre os rins num circulo com 1 linha unindo 2 partes.

A espiral com nº 6 A ,  uma espiral em 7 ou 8 curvas, significa as fases do embrião a nascer, a fusão da essencia e do sangue, tem um texto anexo que faz referência à chuva ligada a rituais e evocações taoistas.   

O nº 7 é o forno de Jade, o campo de cinabre interior.

O frase nº 9 diz ‘ espada da sabedoria contra os demónios vinda do Polo Norte’. 

A divindade do Norte é o Guerreiro verdadeiro que não trai,que abandona as honras, as riquezas, a glória, quem agarra esta espada mata os 3 pirncipios da morte e será acolhido pelo sopro único da tartaruga enlaçada de serpente.



A frase nº11 diz ‘ porta da vida que dá acesso á imortalidade’.

A frase 9 A diz ‘ o sopro’ = fole de fogo, lareira.   
Quando o esvaziamos não se gasta, quando o activamos mais vento emite. 

Este fole é o elemento chave para controle do processo, do fogo interno e seu regime a desenvolver em cada fase. 
Uma escola diz que este sopro é accionado entre os 2 rins, quando nos esvaziamos surge uma abertura, a femea obscura, e com ela uma via de comunicação entre os 2 sopros dos rins, o obscuro e a fêmea, ver nº 5 e 6 tendo no meio um circulo com 2 pontos ligados como se disse em cima.  

A frase nº10 diz ‘ porta que conduz á imortalidade, local de passagem do pivot’.

A frase nº 8 diz ‘ Daqui os homens vulgares se encaminham para a morte e os santos se elevam’.

Na parte debaixo da frase nº10 existe um homem em cima de um bufalo a tocar uma flauta (um santo a subir á imortalidade, pois já domou o búfalo e o comanda?).


Região do centro do corpo e abdomen

 Por baixo da traqueia com a forma de uma flor invertida existem várias pétalas que representam os pulmões 14 com suas 7 almas vegetativas, o coração 16 com as 7 estrelas da Grande Ursa,  figado 13 com as suas 3 almas visionárias e  vesicula biliar 15.  

Por baixo desta flor invertida está um menino em posição de lotus que segura um texto 'o sopro’ e com mais textos de volta  , ‘ o coração é imóvel ‘ , ‘a respiração reforça-se a si mesma’ e  ‘na expiração colhe-se a raiz celeste’(=secreções frescas-yin).

Dos lados exteriores ao nivel do menino sentado existem um macaco=coração e um cavalo= pensamento, animais a domar, simbolo da necesssidade de acalmar o espirito e concentrar pensamentos assim como a troca das respiraçaões yin-yang em certa etapa do processo.  

Outro menino está em baixo de pé com os braços levantados ao céu.
Segura o texto ‘essência’
Ao redor dele existem vários textos, ‘sopro que mata o Guerreiro obscuro’ , ‘na inspiração colhe-se a raiz terrestre’( =calor fisico-yang) , ‘a essência se reforça a ela mesma’, ‘o corpo é imóvel’.

Entre os dois meninos existe um desenho evocando um forno alquimico, com textos dizendo, ‘o centro’ , ‘o forno de terra’,  ‘colher de elixir’ (daogui)  , e ‘o pensamento criativo está imóvel, a alma torna-se ágil e eficiente’. 

Esta colher de elixir representa as secreções doces que surgem e descem da cabeça para a zona do coração e que o adepto sente aquando da união dos opostos, do dragão e do tigre, do sopro e da alma, este nome designa não o instrumento colher mas o seu conteudo, o ‘cinabre ou ambrósia divina’, e que se espalha pelo corpo como uma luz purificadora.

Os dois circulos entrelaçados nº17 simbolizam a união dos opostos, a água dos rins com o fogo do coração.



Por baixo do menino em pé existe um trapézio com 9 circulos que são as 9 portas do inferno.

Este trapézio parece um pote (metáfora do corpo como forno ou paraiso). 
Entre os pés do menino e o trapézio está o texto ‘canal de função’ com um circulo em baixo. 
Dois textos laterais mas exteriores dizem ’no sentido normal é o estado ordinário’ , ‘no estado invertido é a santidade’.

Os infernos são combatidos pelos 7 espiritos das 7 estrelas da Grande Ursa ( nº16 no coração).

Com o nº 18 existe um circulo que diz ‘ porta da vida’ e  junto ao umbigo se diz ‘o umbigo é a porta da vida’.


Os campos do cinábrio 
Os campos de cinábrio são os locais principais de transformação onde o adepto se concentra nos seus exercicios de respiração ou visualização.

Na frente do corpo existem 3 campos de cinábrio: a pílula de lama (Niwan) na cabeça , o Forno principal no coração e o forno de Jade no abdomen. 

Ou seja, cada campo corresponde a uma parte da trindade (essência no abdomen, sopro no coração e alma na cabeça) .

Niwan é o campo de cinábrio superior e o orificio da passagem para o espaço onde reside a alma . 
Está situado no centro da cabeça entre as 2 sobrancelhas. 



Se, a partir da porta celestial, nós penetramos de um dedo polegar dentro da cabeça, nós chegamos ao Palácio das luzes; se nós ainda penetramos mais um dedo polegar, chegamos à Câmara -caverna e mais um dedo polegar, chegamos ao Niwan. 

O Niwan tem 9 cavidades, 9 palácios celestes opostos ás 9 portas dos infernos.

Aqui o adepto visualiza as 9 divindades e seus atributos que habitam os 9 palacios.

Se nós continuamos para baixo, chegamos ao forno ou ao campo de cinábrio mediano localizado abaixo do coração. 
Ele é flanqueado à esquerda do Palácio das luzes e à direita da Câmara- caverna. 
À esquerda ao nível do fígado reside o adolescente sem talento. 
À direita é o pulmão, a residência da Origem branca e a casa do sopro-respiração, onde este é aperfeiçoado.
Debaixo do coração, existe a cavidade que nós chamamos o Palácio escarlate e que é o lugar onde se encontram e unem o tigre e o dragão.



A porta do umbigo é chamada a Porta da vida. 
Ela tem sete aberturas que comunicam com os rins externos, por onde passam a essência e os espiritos vitais, e que nós chamamos o Forno na forma de lua crescente. 
Por baixo do canal de função há nove aberturas que são as portas de inferno e a Cidade da escuridão; este lugar também é chamado o mar da respiração. 

Se nós continuarmos para baixo aproximadamente um dedo polegar, nós chegamos à Lagoa de Jade , o campo de cinábrio inferior que abriga a essência e é o lugar onde nós colhemos o remédio. 
Ele é rodeado à direita e à esquerda do Palácio das luzes e da Câmara- caverna

Por baixo do trapézio está um texto sobre o campo inferior de cinabrio ( forno de Jade) que diz:





O campo de cinábrio é a raiz do homem, o lugar onde reside o seu espírito vital e onde as cinco respirações são originadas.
É a casa do embrião. 
Os homens aí mantêm a sua essência seminal, as mulheres o seu sangue menstrual. 
Ele preside ao nascimento, é a porta do yin e do yang e está situado três dedos polegares debaixo do umbigo. 
Ele é vermelho no centro, azul à esquerda, amarelo à direita, branco no topo e negro abaixo.
Ele é quadrado e arredondado e mede quatro dedos polegares. 
Ele fica situado três dedos polegares debaixo do umbigo, porque ele tem como modelo o céu, a terra e o homem. 
Ele mede quatro dedos polegares, porque o céu corresponde ao um, a terra ao dois , o homem ao três e as estações ao quatro. 
Ele tem cinco cores, porque ele tem como modelo os cinco elementos. 
Neste campo, a respiração não inflamada é azul à esquerda, amarela à direita, negra abaixo, branco no topo. 
É o campo de cinábrio inferior, do tigre verdadeiro, do mar de respiração, da porta da fêmea. 
A cavidade que está no centro da fêmea obscura é a verdadeira essência. 
O pedúnculo da força vital está acima três vezes um dedo polegar. 
Este campo de cinábrio é na realidade o campo das transformações, a raiz do céu e a terra , o lugar onde o velho de cabelo branco pode fazer escurecer de novo o seu cabelo. 
É na realidade o local onde posso estabelecer o meu reino. 
O Um real, o metal que veio da agua que nós chamamos a essência de metal é a minha suprema essência do céu anterior. 
Nós dizemos também que é o tigre que nasce da água, a lua no fundo do mar, a porta do nascimento, a minha raiz. 

Estas metáforas não devem ser ignoradas por aqueles que cultivam a perfeição. 


O campo de cinábrio inferior pode ser usado como templo de contemplação interior (o adepto entra na sala de meditação e visualiza as 5 visceras e depois este campo de cinábrio inferior) ou como zona de movimentação energética intensa em torrente.
Aqui há duas aberturas que comunicam com os rins internos. 
Nos rins há aberturas que comunicam com o canal central para baixo, pelos joelhos, pela planta dos pés . 

Tais são as aberturas principais, os pontos de passagem e de conexão do corpo.

 
Visão geral de outros textos

Junto a cada um dos 6 animais-visceras existem 6 textos que descrevem as funçoes viscerais.

No topo do desenho à esquerda um texto compara o macrocosmo ao corpo-microcosmos descrevendo os principais orificios e locais de passsgem no corpo.

À direita um texto fala nos locais principais dos trabalhos alquimicos, nos 3 passes ou canais, nos 3 campos de cinabre, nos fornos e os caldeirões.  

Os 3 circulos grandes na coluna vertebral junto aos motores-elevadores de energia nºs 1 ,2 e 3 falam nas 3 passagens. 


A passagem do coxis

Esta passagem (chamada também de canal do tigre e do dragão, de escada para o céu, de osso do carro hidraulicao, dos 9 orificios de passagem) menciona a necessidade de bloquear a saida das energias do semen, daí as muitas práticas sexuais de retenção de esperma. 

Esse bloqueio faz com que essas energias passem a alimentar outras zonas que dele mais precisam, como o cerebro e a espinal medula.

Aqui começa o inicio da inversão do bloqueio e o regresso ao caminho para o céu.  

Esta passagem tem 9 orificios, há que passar o sopro pelo orificio central, os ‘outros não conduzem á Via’.

Quem consegue subir neste canal pela medula acima até à cabeça, aí no Niwan deposita o nectar da ambrosia produzida e desbloqueia todos os restantes canais.    


A passagem da espinha dorsal

Esta passagem é dupla, energia yang sobe na inspiração até á cabeça Niwan e energia yin desce na expiração, passando na boca onde se humedece, passa nos pulmões, pelas 5 visceras e termina no campo de cinábrio inferior. 


A passagem superior da nuca

Chamada de palacio do yang, de zona de ferro pelo seu dificil acesso, é o ponto estratégico para subir ao céu e alcançar o dragão amarelo ( divindade e pensamentos verdadeiros).

O sopro yang, o calor interno é fundamental para passar esta passagem, cuja porta é guardada por uma divindade yin. 

É preciso que o calor interno chegue ao nariz, para que as secreções frescas desçam do cérebro e encham a boca.



Processos de inversão dos 5 elementos pelo regime do fogo

Começa com uma troca do alto a baixo entre a agua dos rins e o fogo do coração.
Depois uma troca direita – esquerda entre o dragão verde do figado à direita com o tigre branco dos pulmões à esquerda. 

Esta efectua-se na cavidade do Palacio escarlate debaixo do coração.

O dragão verde é a morada das almas visionárias, no céu o sol. 
O tigre branco é a morada das almas  vegetativas , no céu a lua.

A subida e descida efectua-se segundo um fogo regulado pelo fole e seguindo o ritmo das luas, das horas , das estações, dos astros de céu, pois o corpo do homem segue as mesmas leis do movimento cósmico. 

 
DESENHO 3 e 4  – O CORPO MONTANHA



Este desenho apresenta  a paisagem interior com os locais e os simbolos dos processos alquimicos.

1- Palacio Niwan
2- Um grão de milho contém o universo
3 – Palacio da ascenção do yang
4 – Monte dos 9 picos
5 – Lao Tse com sobrancelhas a tocar a terra e cabelo branco
6 – Depois da dupla passagem o sopro trespassa o cimo da cabeça. É aqui que o caminho da prátivca toma raiz.
7 – Terraço dos espiritos do céu
8 – Cume do pico gigante
9 -  Passagem superior da capital de Jade.
10 – Canal de controle
11 -  Canal de concepção
12 – O sol alaranjado purificou completamente os 4 mares
13 – Do espaço entre as sobrancelhas é continuamente emitido um feixe de luz , capaz de eliminar o sofrimentos dos seres no ‘samsara’.
14 – A meio da ascenção fervem as torrentes
15 – Passagem media da espinha dorsal
16 – Formula secreta do pagode em 12 andares
17 – o menino enfia as pedras gravadas
18 A – A divindade da vesicula biliar, o dragão, luz majestosa.
18 – A divindade do pulmão, a flor branca, que busca o vazio.
19 – O sopro passa a ponte com rapidez.
19 A – A divindade do figado, vapores de dragão , a que contém a luz.
20 – O  monge barbaro de olhos de jaspe sustém o céu com suas mãos.
21 – Carro hidrualico a pés do yin-ynag
22 – A casa passo se avança, depois de uma volta completa o mecanismo inverte o curso da agua que corre para Este num vale profundo e se vê ao fundo a fonte de ambrósia nascer e se elevar ao monte do Sul , a via da longevidade se cumpriu.
23 – Local de troca fogo-água
24 – Forno de cinabre
25 – Passagem inferior do coxis
26 – As 2 cavidades do palacio dos rins
27 – A tecelã roda o fio.
28 – A divindade do rim , obscuro, procriador do menino
29  - A divindade do coração, origem do cinabre, guardiã dos espiritos sobrenaturais.
30 – A divindade do baço, sede das almas visionárias.
31 – Campo de cinabre médio
32 – O bufalo remexe a terra e semeia a moeda de ouro.
     

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