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sábado, 14 de abril de 2018

Fases da Morte - Parte 3 - Encarnação


REENCARNAÇÃO


Quando chega o momento em que a Alma ou Ego Espiritual, na sua marcha contínua para mais alto e mais profundo, deixa para trás o corpo emocional da mesma forma como deixou o corpo físico por ocasião da morte, processa-se então o que se chama de morte astral ou segunda morte.

A retirada do Ego Espiritual vai progressivamente paralisando as funções do corpo astral, a começar pelas mais densas, que assim se desagregam à medida que a consciência se retira, por um esforço semiconsciente do mesmo Ego. 
É desta maneira que o homem se liberta gradualmente desse veículo, até deixá-lo totalmente e ingressar no Mundo Mental.

Durante a sua estadia no Plano Emocional o Espírito purificou e assimilou tudo quanto havia de puro e assimilável nas emoções e sentimentos do corpo astral, de maneira que o que restará deste será um simples resíduo, um cascão de que a Tríade Superior (Espírito – Intuição – Mental Abstracto) se liberta facilmente, passando a vibrar num nível imediatamente superior onde também purificará e assimilará tudo quanto de puro e assimilável o homem pensou enquanto ser carnal.

Ao passar do Astral ao Mental pelo fenómeno da segunda morte, o homem não leva consigo as características emocionais, pois que a matéria astral não pode existir no Plano Mental e a matéria deste não pode responder às emoções grosseiras das paixões e desejos inferiores.

Tudo quanto no homem se exprimiu como inferior ou de baixo padrão vibratório, fica em estado latente no átomo-semente mental que entretanto já absorveu o átomo-semente astral, e assim fica durante toda a sua vida celeste.

É assim que, quando termina a vida astral, os elementos vitais retiram-se desse corpo abandonando-o à desagregação enquanto o seu átomo-semente se aloja no Corpo Causal ou Mental Superior.

Nos casos da maioria dos homens comuns, uma parte da sua matéria mental acha-se de tal modo misturada com a matéria astral (o que se chama kama-manas ou psicomental) que se torna impossível separá-las de imediato.

Daí decorre que uma porção da matéria mental fica no corpo emocional após a partida da  Alma ou Ego Espiritual, facto muito semelhante ao que ocorre na primeira morte.

No caso em que o homem, durante a sua vida, subjugou completamente os seus desejos inferiores e conseguiu libertar inteiramente o mental de todos eles, acontece que não terá nenhuma dificuldade em abandonar o corpo astral, levando consigo não só quanto trouxe para essa encarnação particular como o conjunto de todas as experiências, faculdades, etc., adquiridas.



Neste ponto, devo informar antes do mais que quanto maior for a duração de uma alma no Plano Astral mais depressa ela acabará por esquecer a sua última vida terrena, de que não se lembrará absolutamente nada quando se transfere ao Plano Mental, e cuja memória, ou melhor, as impressões psicomentais dessa mesma vida ficam registadas no seu átomo-semente causal, sendo quem irão determinar as condições da sua reencarnação futura.

Só os Grandes Adeptos e Iniciados conservam a memória das vidas passadas, mesmo quando encarnam, por manterem uma consciência ininterrupta dos vários níveis do Ser.

Terminada a acção das causas que levaram o Ego Espiritual ao Plano Mental, completamente assimilados os frutos das experiências colhidas nos Planos inferiores, passado algum tempo começa a surgir no Ser o desejo natural de se objectivar nos Mundos das Formas.

A este desejo, que tanto para o indivíduo como para o Cosmos é a causa primária da reencarnação e da manifestação, os hindus dão o nome de trishna.

Esse desejo nasce, na maioria dos homens pelos laços kármicos que os atraiem para o Mundo das Formas, após a alma haver satisfeito as suas necessidades nos Planos Astral e Mental, indo invadi-la o pensamento intenso de que aí já cumpriu o seu propósito e começa a conjecturar a possibilidade de entrar numa nova fase de existência.

É quando o seu corpo mental começa a dissolver-se no espaço ambiental e o Ser inicia um estado de sonolência que, ao mesmo tempo, leva-o a recolher-se ao Mundo Mental Superior ou Causal, indo desprender-se de vez do veículo mental inferior, o que equivale a uma terceira morte
Então o Ego vai adormecendo cada vez mais sobre si mesmo.

Ante a proximidade desse novo estado de sonolência a alma não experimenta qualquer sensação de dor ou incómodo, pelo contrário, invade-a uma espécie de satisfação e felicidade como se pressentisse algo que a irá renovar e realizar, pressentindo a proximidade de novas experiências que terá possibilidade de vivenciar numa nova existência.

De forma que ao terminar este ciclo neste plano Mental, o Ego acha-se livre de toda a peia passada, mesmo que as acções praticadas na vida anterior não se achem aniquiladas, pois que o registo dessas impressões (samskaras) contém-se no seu átomo-semente mental.

Se elas não existissem a Lei não determinaria nova encarnação, pelo que se encontram em estado latente formando a raiz do seu destino.


As sementes das tendências começam a germinar logo que o Ego se prepara para a próxima encarnação despendendo de si, dos seus átomos-sementes, as matérias mental, astral e física para a criação de uma nova personalidade que o revestirá.
É assim que a nova personalidade carrega consigo o fardo do passado.

As sementes provenientes da colheita do passado são chamadas de skandhas, “tendências”.

Logo que o Ego se apresenta no limiar dos Mundos Mental e Astral para uma nova encarnação, as skandhas fazem-se presentes para constituir o carácter dos novos veículos, ou seja, as qualidades materiais e as tendências psicomentais dessa nova personalidade.

O Ego envolve-se primeiro de matéria do Mundo Mental, em seguida de matéria do Mundo Emocional, e terá assim os novos veículos dessa natureza onde reaparecerão os interesses, emoções e apetites das suas vidas passadas. 
Essa matéria psicomental é atraída para o Ego automaticamente, e tal natureza irá reproduzir a que o homem possuía na sua última vida terrena.
É assim que ele irá reiniciar a sua vida material no ponto justo em que a deixou pela última vez.

De acordo com as suas necessidades e simpatias kármicas as quais ligam o passado ao futuro, ou sejam, as suas mesmas samskaras, o Ego naturalmente penetra na corrente que o conduz ao renascimento na família e ambiente adequados ao seu grau de evolução, mas que também lhe irão possibilitar as experiências necessárias à expiação dos dividendos passados. 
Isto explica porque numa alma sem karma o interesse por novas experiências humanas inexiste, e assim o Ego não é acometido de qualquer sono pré-reencarnatório, antes procura a absorção cada vez maior na Divindade de quem é Partícula ou Centelha um dia desprendida para se manifestar.

Em consequência desse encadeamento ao Mundo das Formas, o Ego vai submergindo-se num sono profundo – que se torna completo no momento em que se liga inteiramente ao novo corpo físico, o que sucede quando é cortado o “cordão umbilical” – indo assim “morrer” para o Mundo Espiritual no seu “descenso” a caminho do Mundo Material, onde finalmente reencarna.

O Ego Espiritual não fica enclausurado dentro da forma física, antes se manifesta pela alma nessa mesma forma, e tal “clausura” equivale a estar com a sua consciência inteiramente focada no Mundo das Formas, completamente abstraído do Mundo Espiritual que o envolve.

O sono do Ego regista-se nos recém-nascidos, que continuam sonolentos durante a infância – por isto os bebés dormem muito nos primeiros tempos, de noite e de dia, sendo menos o tempo de vigília que o de sono, por a sua consciência ainda estar muito ligada aos mundos espirituais onde passam a maior parte desse tempo – e aos poucos vão despertando para os factores externos, à medida que se desenvolve a inteligência da criança.


Um último tópico: a irrequietude da maioria das crianças é uma forma de despenderem ou largarem as energias do passado acompanhando as suas tendências psicomentais anteriores, assim ganhando novas energias e, por via dos novos interesses, novas tendências.

Quando a criança é inibida do descanso regular e das brincadeiras irrequietas pelos adultos, está-se forjando o seu futuro doentio, obeso ou esquálido, sempre centrípeto, o qual certamente ninguém lhe deve desejar.

Nisto, o papel dos pais e educadores é fundamental: à medida que os interesses da criança se manifestam, irem lhe dando educação primorosa, preferencialmente de natureza espiritual em conformidade às apetências e interesses da idade tenra, para que um dia sejam bons cidadãos, óptimos chefes de família e excelentes espiritualistas.

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