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sexta-feira, 22 de maio de 2015

O Caminho do Homem e do Elefante para o Nirvana



Há dois personagens: o homem, o meditador, o observador; e o elefante, que representa sua mente. 

Para se acalmar, a mente usa duas ferramentas: a atenção e a lembrança.

O afiado machado representa a acuidade da atenção vigilante, e a corda com um gancho é a lembrança da prática. 

Já que muitas distrações interrompem seu estado de alerta vigilante, o meditador deve retornar a ela através de constantes lembranças. 

A vigilância é a acuidade na base da meditação, e a lembrança assegura sua continuidade.

O estado de acalmar a mente tem dois obstáculos principais: o primeiro é a agitação ou dispersão criada pela fixação sobre pensamentos e emoções passageiros; o segundo é o torpor ou preguiça, a estagnação mental. 

O torpor é representado pela cor preta do elefante e a agitação pelo macaco.

O fogo que diminui ao longo do caminho representa a energia da meditação.

Conforme avançamos, a prática requer menos e menos esforço.

As seis curvas ou voltas no caminho marcam as seis forças da prática, que são: ouvir as instruções, assimilá-las, lembrá-las, vigilância, perseverança e hábito perfeito. 

Ao lado da estrada há diferentes objetos: um katha, algumas frutas, uma concha cheia de água perfumada, pequenos címbalos e um espelho, representado os objetos dos sentidos; objetos tangíveis, sabores, odores, sons e formas visuais, que distraem o meditador que se desvia do caminho para segui-los. 


[1] Na base da ilustração, no primeiro estágio, há uma distância consideravelmente grande entre o meditador e sua mente. O elefante da mente é guiado pelo macaco, ou agitação. O grande fogo mostra que a meditação requer bastante energia. Os obstáculos são os piores possíveis; tudo está preto.

[2] No segundo estágio, o meditador chega mais próximo do elefante por causa de sua atenção. O macaco - a agitação - ainda conduz a mente, mas o  ritmo diminui. A estagnação e a agitação diminuem; algum branco infiltra-se no preto do elefante e do macaco.

[3] No terceiro estágio, o meditador não mais vai atrás da sua mente; agora eles estão cara a cara. O macaco ainda está à frente, mas não conduz mais o elefante. O contato entre o meditador e a mente é estabelecido pela corda da lembrança. Ocorre uma forma sutil de estagnação, representada por um pequeno coelho. A escuridão da estagnação e da agitação diminui.

[4] No quarto estágio, o progresso torna-se mais claro e o meditador chega ainda mais perto do elefante. A alvura do macaco, do elefante e do coelho aumenta. A cena torna-se mais clara.

[5] No quinto estágio, a situação torna-se invertida. O meditador conduz o elefante da mente com a atenção e lembrança contínuas. O macaco não conduz mais, porém o coelho ainda está lá. A cena fica ainda mais clara. Em uma árvore próxima, um macaco branco pega uma fruta. Isto representa a atividade da mente de se engajar em ações positivas. Apesar de essas ações normalmente precisarem ser cultivadas, ainda há distrações no contexto da prática ; é por isso que ela é preta e está fora do caminho.

[6] No sexto estágio, o progresso é mais definitivo. O meditador conduz e a lembrança é constante; ele não tem mais que colocar sua atenção sobre a mente. O coelho se foi e a situação torna-se cada vez mais clara.

[7] No sétimo estágio, a cena torna-se muito pacífica. A caminhada não mais requer direção. A cena torna-se quase completamente transparente. Alguns sinais de preto indicam pontos de dificuldade.

[8] No oitavo estágio, o elefante anda domado pelo meditador. Não há virtualmente mais nenhum preto e a chama do esforço desapareceu. A meditação torna-se natural e contínua. 

[9] No nono estágio, a mente e o meditador estão ambos completamente em descanso. Eles são como velhos amigos acostumados a estar juntos calmamente. Os obstáculos desaparecem e a meditação estabilizadora é perfeita. 


A cena seguinte, nascida do raio de luz que emana do coração do meditador, representa a evolução da prática no coração deste estágio de acalmia. 

A realização é caracterizada pela experiência de alegria e radiância, ilustrada pelo meditador voando ou cavalgando sobre as costas do elefante. 

Na última cena a mente e a meditação estão unidas; 
o meditador senta-se escarranchado sobre o elefante.

O fogo revela uma nova energia, a da sabedoria, representada pela espada flamejante da sabedoria transcendente, que corta os dois raios negros das aflições mentais e da dualidade.


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